Emagrecedores podem ter efeito além da balança
Mulheres que usaram medicamentos GLP-1 tiveram menor incidência de câncer de mama em uma análise com mais de 110.000 participantes. O estudo avaliou registros da Penn Medicine, o Sistema de Saúde da Universidade da Pensilvânia, nos EUA, entre janeiro de 2022 e junho de 2025 e encontrou redução próxima de 30% no grupo exposto aos remédios.
O que o estudo encontrou
A análise, publicada no JCO Oncology Practice, avaliou 111.646 mulheres de 45 a 80 anos, todas com índice de massa corporal de 25 ou mais. Esse valor marca a faixa classificada como sobrepeso.
Entre elas, 15.264 tinham prescrição documentada de medicamentos GLP-1. Outras 96.382 não tinham registro de exposição a esse tipo de remédio.
Os pesquisadores buscaram novos diagnósticos de câncer de mama em dois grupos. O primeiro reuniu todas as participantes. O segundo comparou 15.264 usuárias de GLP-1 com 15.264 controles pareados.
Esse pareamento considerou idade, raça, etnia, IMC, densidade mamária e diabetes. A estratégia reduz distorções, embora não elimine todos os fatores de confusão.
A redução apareceu em dois recortes
No grupo completo, o uso de GLP-1 teve associação com 35,1% menos chances de câncer de mama. No grupo pareado, a redução ficou em 30,5%.
Ao MedicalXpress, Elizabeth McDonald, professora de radiologia e radiologista de mama, reforça que o resultado exige cautela. “Embora nosso estudo seja observacional e não confirme definitivamente uma associação entre medicamentos GLP-1 e menor incidência de câncer de mama, ele se soma ao conjunto crescente de evidências.”
Por que remédios de peso interessam à oncologia
Medicamentos GLP-1 imitam um hormônio natural chamado peptídeo semelhante ao glucagon 1. Ele ajuda a regular açúcar no sangue e apetite.
Esses remédios nasceram para tratar diabetes tipo 2. Hoje, eles também têm uso amplo no controle de peso.
O interesse em câncer vem de outro ponto. Excesso de peso, principalmente após a menopausa, já aparece como fator de risco para câncer de mama. Os GLP-1 também reduzem inflamação sistêmica por diferentes vias.
Os pesquisadores suspeitam que efeitos metabólicos, anti-inflamatórios e epigenéticos possam dificultar o desenvolvimento tumoral. Essa hipótese ainda precisa de teste direto.
O que ainda falta saber
O estudo não avaliou o tipo de GLP-1 usado, nem o tempo de tratamento. Também não considerou risco genético, estágio do câncer ou subtipo no diagnóstico.
A equipe trabalha em um ensaio clínico com vários centros. O objetivo será testar se esses medicamentos podem reduzir a incidência de câncer de mama em mulheres de alto risco.
“Queremos encontrar melhores opções para prevenir o câncer de mama”, disse McDonald.
