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Startup de IA exige jornada de 72h em troca de auxílio moradia e refeições

Empresa oferece benefício de US$ 18 mil anuais para morar perto do trabalho e pede jornada de 72 horas semanais; 80% aderem.
Imagem: Rilla

A startup de IA norte-americana Rilla paga cerca de US$ 1,7 milhão por ano em auxílios moradia para que seus funcionários vivam perto do escritório em Nova York. Em contrapartida, os aproximadamente 120 colaboradores da empresa precisam trabalhar 72 horas semanais.

De acordo com a The Next Web a partir de dados da Fortune e do Business Insider, o benefício vale US$ 18 mil anuais por funcionário que more a até dez minutos de bicicleta do escritório, localizado no bairro de Williamsburg. Cerca de 80% dos funcionários aderem ao programa, um percentual expressivo em um bairro onde um estúdio custa em torno de US$ 4 mil por mês.

Foco, não conforto

O CEO Sebastian Jimenez enquadra os gastos como uma estratégia de concentração, não de indulgência. “Não estamos tentando amparar as pessoas”, declarou ele. “Muitas empresas oferecem benefícios que acabam distraindo os funcionários. Nós nos perguntamos: ‘Isso pode ajudar alguém a entrar em estado de fluxo?'”

Essa lógica orienta o restante do pacote. A Rilla custeia três refeições diárias e está construindo uma academia com sauna e mergulho frio. A empresa também contratou um especialista em ambientes saudáveis formado por Harvard para selecionar um escritório com ventilação que favoreça a concentração.

O custo do modelo

As cifras são altas para uma empresa de pequeno porte. A Rilla gasta cerca de US$ 37 mil por funcionário ao ano nesses benefícios adicionais, totalizando aproximadamente US$ 4,4 milhões para os 120 colaboradores. A empresa assinou um contrato de locação de dez anos. Jimenez afirma que o retorno justifica o investimento e sustenta que cada engenheiro gera de US$ 4 milhões a US$ 5 milhões em receita anual.

A rotina de trabalho é de 12 horas por dia, seis dias por semana. O CEO diz que seleciona profissionais com perfil para esse ritmo, como atletas universitários de alto rendimento e fundadores de empresas.

O modelo reflete um endurecimento mais amplo da cultura de trabalho no setor de tecnologia. Enquanto o debate sobre o impacto da IA no mercado de empregos continua, algumas startups caminham na direção oposta: contratam um núcleo reduzido de profissionais de elite e exigem jornadas extensas. Concorrentes oferecem versões mais suaves da mesma ideia, de quadras de tênis no JPMorgan a estúdios de ciclismo no Goldman Sachs.

O auxílio moradia é generoso e funciona também como mecanismo de extensão da jornada, a fim de reduzir o deslocamento elimina atritos e amplia o tempo disponível para o trabalho. Jimenez, no entanto, rejeita a leitura de que se trata de controle. “Nosso objetivo não é simplesmente colocar as pessoas no escritório”, afirmou. “É construir um ambiente onde elas possam realizar o melhor trabalho de suas vidas.”

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