Quase ninguém se sente seguro no trabalho com o avanço da IA
A maioria dos trabalhadores ainda teme que a inteligência artificial (IA) substitua seus empregos, mesmo com impactos concretos ainda limitados no mercado de trabalho. É o que aponta o relatório People at Work 2026, da ADP, com dados de mais de 39 mil adultos em 36 países.
Segundo o levantamento, apenas um em cada quatro trabalhadores no Reino Unido concorda fortemente que seu emprego está seguro. Na Europa como um todo, esse índice cai para 21% e, globalmente, o número é de 22%.
A pesquisa expõe uma contradição entre os indicadores macroeconômicos de emprego, considerados relativamente saudáveis, e a percepção individual dos trabalhadores sobre seus próprios postos de trabalho.
“O mundo do trabalho está mudando rapidamente, e nossos achados revelam uma lacuna entre o que o mercado de trabalho nos diz e o que os funcionários estão sentindo”, declarou Jeff Phipps, vice-presidente sênior e diretor-geral da ADP para Reino Unido e Irlanda do Norte, acrescentando que “o emprego está forte”.
Insegurança varia por tipo de função
De acordo com o TechRadar, o nível de confiança dos trabalhadores difere conforme o tipo de atividade exercida. Entre os chamados “knowledge workers” (ou “Profissionais de Trabalho Intelectual”) no Reino Unido, 34% acreditam que seus empregos estão seguros. Já entre trabalhadores que executam tarefas repetitivas no mesmo país, apenas 19% se sentem em posição estável com o avanço da inteligência artificial.
O porte das empresas também influencia a percepção de segurança. Em grandes corporações, o índice de confiança chega a 22%. Em empresas de médio porte, sobe para 36%. Na Europa, o padrão se inverte: trabalhadores de companhias maiores tendem a se sentir mais seguros do que os de médias empresas.
Segurança no emprego e desempenho
A sensação de estabilidade profissional não afeta apenas a satisfação dos trabalhadores. Ela tem impacto direto sobre produtividade e engajamento. Segundo o relatório da ADP, trabalhadores que se sentem seguros têm seis vezes mais chances de estar plenamente engajados com o trabalho e três vezes mais chances de reportar alta produtividade.
A retenção de talentos também é afetada. Profissionais com senso de segurança são cerca de duas vezes mais propensos a não considerar deixar o empregador.
Diante desses dados, a ADP recomenda que as empresas adotem transparência sobre mudanças organizacionais e tecnológicas em curso, explicando aos funcionários como suas funções podem ser afetadas. O relatório atribui às empresas a responsabilidade pelo treinamento e pela requalificação profissional dos trabalhadores.
“As pessoas querem saber que há um lugar para elas à medida que a organização evolui, e que terão apoio para chegar lá”, afirmou Phipps. O executivo alertou que negócios que tratam o tema com seriedade, “investindo em habilidades e sendo honestos sobre as mudanças, são os que veem os resultados no desempenho das pessoas e na sua retenção”.
