Jovens perdem espaço no mercado de trabalho por causa da IA
Um estudo do portal de empregos suíço jobs.ch revelou queda expressiva nas vagas de nível inicial na Suíça desde a adoção em larga escala de inteligência artificial pelas empresas. A participação de cargos de entrada no total de anúncios foi 32% menor em 2025 do que a média registrada entre 2019 e 2022.
A pesquisa levantou dados de mais de 7,3 milhões de anúncios de emprego, segundo a Reuters. O período de 2019 a 2022 foi definido pelo estudo como a fase “pré-IA”, antes da adoção mais acelerada das ferramentas de inteligência artificial pelas organizações.
As áreas mais afetadas pela redução de vagas juniores são marketing, administração, finanças e tecnologia da informação (TI), de acordo com o levantamento.
Vagas sênior sobem enquanto juniores recuam
O cenário para profissionais experientes seguiu caminho inverso. Nas funções com maior exposição à IA, as ofertas para cargos sênior cresceram 26% em 2025 em relação ao quadriênio anterior a 2023. Já as posições juniores nesse mesmo grupo de funções recuaram 16% no mesmo intervalo.
O estudo também identificou expansão na demanda por habilidades em IA em cargos fora do setor de TI, o que indica que o conhecimento da tecnologia passou a ser valorizado em áreas mais amplas do mercado de trabalho.
Setores presenciais resistem à queda
Nem todos os segmentos registraram retração nas vagas de entrada. A demanda por profissionais juniores fora de escritórios e ambientes de pesquisa permaneceu sólida, principalmente em saúde, construção civil e ofícios técnicos, setores que convivem com escassez persistente de mão de obra.
Temor entre os mais jovens
A pesquisa também ouviu mais de 3.600 trabalhadores sobre percepções relacionadas à IA. Entre os participantes com menos de 25 anos, 41% afirmaram temer se tornar menos valiosos no mercado de trabalho por causa da tecnologia, um fenômeno descrito pelo estudo como FOBO (sigla em inglês para “medo de se tornar obsoleto”).
