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O jeito de pisar pode mudar sua dor no joelho

Cientistas descobrem método simples para aliviar dor de artrite sem remédios ou cirurgia
Imagem: Unsplash

Pesquisadores da University of Utah, New York University (NYU) e Stanford University, nos EUA, desenvolveram um método de retreinamento de marcha personalizado que reduz significativamente a dor da osteoartrite no joelho e retarda danos na cartilagem sem o uso de comprimidos ou cirurgias. O ensaio clínico de um ano, cujos resultados foram publicados na revista científica The Lancet Rheumatology, envolveu o ajuste preciso do ângulo dos pés de pacientes durante a caminhada para aliviar a carga sobre a articulação.

O estudo foi liderado por Scott Uhlrich, professor assistente de engenharia mecânica no John and Marcia Price College of Engineering da University of Utah, ao lado das coautoras Valentina Mazzoli, do Departamento de Radiologia da NYU, e Julie Kolesar, do Laboratório de Desempenho Humano de Stanford. A intervenção busca preencher uma lacuna crítica no tratamento de adultos que convivem com a osteoartrite — condição que afeta quase um em cada quatro adultos com mais de 40 anos.

A técnica consiste em treinar os participantes para fazerem uma pequena mudança personalizada no ângulo do enquanto caminham. Utilizando esteiras sensíveis à pressão e câmeras de captura de movimento, os cientistas determinaram se cada um dos 68 participantes teria melhores resultados girando os dedos para dentro ou para fora, com ajustes específicos de 5° ou 10°. Segundo Scott Uhlrich, o alívio da dor relatado foi comparável ao que se esperaria de medicamentos de venda livre, como o ibuprofeno, ou até mesmo de um narcótico como o OxyContin.

Personalização do ângulo do pé é essencial para o sucesso do tratamento

Diferente de tentativas anteriores de mudar a forma de caminhar, este estudo focou na individualidade biológica de cada paciente. Uhlrich explicou que ensaios passados prescreviam a mesma mudança para todos, o que fazia com que algumas pessoas não tivessem resultados ou até aumentassem a carga em suas articulações. O uso da tecnologia de captura de movimento permitiu selecionar o padrão exato que reduziria o estresse mecânico no joelho de cada indivíduo.

Abaixo, os detalhes técnicos e estatísticos coletados durante o ensaio clínico de um ano reforçam a precisão necessária para o alívio da dor:

Métrica do Ensaio Clínico Dados de Implementação Resultados Observados
Ajuste de Ângulo Personalizado 5° ou 10° (Inclinado para dentro ou fora) Redução eficaz da carga no compartimento medial
Frequência de Treinamento 6 sessões semanais + 20 min diários Aderência média com precisão de 1 grau
Impacto na Cartilagem Monitoramento via ressonância magnética (MRI) Degradação dos marcadores de saúde da cartilagem retardada
Contexto dos Participantes 68 voluntários recrutados Divisão em grupo de intervenção real vs. sham (placebo)

Uso de biofeedback vibratório e prática diária

O processo de aprendizagem do novo padrão de marcha envolveu o uso de um dispositivo preso à canela que fornecia feedback por meio de vibrações. Esse sistema alertava os pacientes sempre que eles saíam do ângulo de pé prescrito durante o treinamento em esteira. Após as seis sessões iniciais em laboratório, os voluntários foram incentivados a praticar o novo movimento por pelo menos 20 minutos todos os dias em suas rotinas normais.

Mas o impacto foi além do alívio sintomático. Através de exames de ressonância magnética, a equipe observou uma degradação mais lenta de um marcador de saúde da cartilagem no grupo de intervenção. Essa evidência física sugere que a mudança biomecânica pode realmente proteger a integridade da articulação a longo prazo, oferecendo esperança para pessoas nas décadas de 30, 40 ou 50 anos que ainda não possuem indicação para próteses totais de joelho.

FAQ

Qual foi a redução de dor observada no estudo?

A diminuição da dor relatada pelos participantes foi significativa, situando-se em um patamar comparável ao efeito de medicamentos anti-inflamatórios comuns, como o ibuprofeno, e analgésicos narcóticos potentes, como o OxyContin.

Por que não devo tentar mudar meu jeito de andar sozinho?

A intervenção depende de uma personalização rigorosa de 5° ou 10°. Sem a tecnologia de captura de movimento para identificar o ajuste correto, mudar o ângulo do pé pode aumentar a carga no joelho e acelerar o dano à cartilagem em vez de reduzi-lo.

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