CEOs de IA já são tratados como chefes de Estado
Os CEOs das principais empresas de inteligência artificial dos Estados Unidos participaram da cúpula do G7, realizada na última semana nos Alpes franceses, sentados à mesa com os líderes das maiores democracias do mundo e tratados como pares de chefes de Estado.
A cena, descrita pelo Axios como inimaginável até pouco tempo atrás, ilustra uma reconfiguração geopolítica em curso. Empresas privadas de tecnologia passam a ocupar um papel equivalente ao de nações nas discussões sobre o futuro da IA, suas regras e sua aplicação à segurança global.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sentou-se ladeado pelo CEO da OpenAI, Sam Altman, à sua direita, e pelo CEO do Google DeepMind, Demis Hassabis, à sua esquerda. O anfitrião da cúpula, o presidente francês Emmanuel Macron, teve ao lado o CEO da Anthropic, Dario Amodei, e o CEO da Salesforce, Marc Benioff.
Altman foi cercado por ministros e membros de gabinetes de vários países ao entrar na sala do encontro em Évian-les-Bains, na última quinta-feira (18), para um almoço de trabalho com os chefes de Estado. Ao longo do evento, ele conduziu reuniões bilaterais com líderes de diversas nações e ouviu repetidamente que os países desejam as empresas de IA como parceiras confiáveis.
Três mensagens ao Ocidente
O almoço de trabalho foi fechado à imprensa. Amodei, Altman e Alexandr Wang, diretor-chefe de IA da Meta, posaram individualmente com Macron para fotos com a bandeira francesa ao fundo, na cadeira habitualmente ocupada por presidentes, primeiros-ministros ou chanceleres. Também participaram do almoço Arthur Mensch, CEO da empresa francesa Mistral AI, e dirigentes de laboratórios de IA do Japão, Alemanha, Itália e Reino Unido.
Os três principais executivos de IA presentes defenderam, cada um à sua maneira, que as potências ocidentais se unam para garantir que as democracias mantenham a liderança no desenvolvimento da tecnologia.
Amodei afirmou que os líderes do G7 devem “resistir à tentação de fragmentar” a adoção de ferramentas avançadas de IA, numa referência à necessidade de as democracias agirem em bloco frente a governos autoritários.
Altman pediu a criação de “um fórum internacional de discussão que estabeleça padrões globalmente aceitos para testes, forneça análises especializadas e imparciais de capacidades e riscos, e sirva como espaço de cooperação entre nações.” Com regras definidas, acrescentou, “devemos errar em favor da liberdade humana.” O CEO da OpenAI também afirmou que “nenhum laboratório isolado deve tomar as decisões” e declarou aos líderes presentes: “Não cedam suas responsabilidades a laboratórios de IA como o meu.”
Hassabis, cujo laboratório DeepMind foi adquirido pelo Google em 2014, defendeu a criação de “um organismo de padrões liderado pelos EUA, que idealmente trabalhe em estreita cooperação com a comunidade democrática internacional.” Ele afirmou que “estamos em um dos momentos mais críticos da história humana” e projetou que, olhando para trás daqui a 10 ou 20 anos, “veremos que estávamos nos contrafortes da singularidade.” Para o executivo, “isso não é nada menos do que uma nova era na história humana que se aproxima no horizonte.”
