2023 © Copyright 404 - Todos os direitos reservados

CEOs de IA já são tratados como chefes de Estado

Líderes de OpenAI, Google DeepMind e Anthropic tratam como pares de chefes de Estado, debatendo futuro da inteligência artificial e segurança global.
Imagem: Flickr

Os CEOs das principais empresas de inteligência artificial dos Estados Unidos participaram da cúpula do G7, realizada na última semana nos Alpes franceses, sentados à mesa com os líderes das maiores democracias do mundo e tratados como pares de chefes de Estado.

A cena, descrita pelo Axios como inimaginável até pouco tempo atrás, ilustra uma reconfiguração geopolítica em curso. Empresas privadas de tecnologia passam a ocupar um papel equivalente ao de nações nas discussões sobre o futuro da IA, suas regras e sua aplicação à segurança global.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sentou-se ladeado pelo CEO da OpenAI, Sam Altman, à sua direita, e pelo CEO do Google DeepMind, Demis Hassabis, à sua esquerda. O anfitrião da cúpula, o presidente francês Emmanuel Macron, teve ao lado o CEO da Anthropic, Dario Amodei, e o CEO da Salesforce, Marc Benioff.

Altman foi cercado por ministros e membros de gabinetes de vários países ao entrar na sala do encontro em Évian-les-Bains, na última quinta-feira (18), para um almoço de trabalho com os chefes de Estado. Ao longo do evento, ele conduziu reuniões bilaterais com líderes de diversas nações e ouviu repetidamente que os países desejam as empresas de IA como parceiras confiáveis.

Três mensagens ao Ocidente

O almoço de trabalho foi fechado à imprensa. Amodei, Altman e Alexandr Wang, diretor-chefe de IA da Meta, posaram individualmente com Macron para fotos com a bandeira francesa ao fundo, na cadeira habitualmente ocupada por presidentes, primeiros-ministros ou chanceleres. Também participaram do almoço Arthur Mensch, CEO da empresa francesa Mistral AI, e dirigentes de laboratórios de IA do Japão, Alemanha, Itália e Reino Unido.

Os três principais executivos de IA presentes defenderam, cada um à sua maneira, que as potências ocidentais se unam para garantir que as democracias mantenham a liderança no desenvolvimento da tecnologia.

Amodei afirmou que os líderes do G7 devem “resistir à tentação de fragmentar” a adoção de ferramentas avançadas de IA, numa referência à necessidade de as democracias agirem em bloco frente a governos autoritários.

Altman pediu a criação de “um fórum internacional de discussão que estabeleça padrões globalmente aceitos para testes, forneça análises especializadas e imparciais de capacidades e riscos, e sirva como espaço de cooperação entre nações.” Com regras definidas, acrescentou, “devemos errar em favor da liberdade humana.” O CEO da OpenAI também afirmou que “nenhum laboratório isolado deve tomar as decisões” e declarou aos líderes presentes: “Não cedam suas responsabilidades a laboratórios de IA como o meu.”

Hassabis, cujo laboratório DeepMind foi adquirido pelo Google em 2014, defendeu a criação de “um organismo de padrões liderado pelos EUA, que idealmente trabalhe em estreita cooperação com a comunidade democrática internacional.” Ele afirmou que “estamos em um dos momentos mais críticos da história humana” e projetou que, olhando para trás daqui a 10 ou 20 anos, “veremos que estávamos nos contrafortes da singularidade.” Para o executivo, “isso não é nada menos do que uma nova era na história humana que se aproxima no horizonte.”

Assine a newsletter do Giz Brasil