Estudantes cruzam 1.000 km em carros movidos a Sol
O Solar Car Challenge iniciou no último fim de semana sua 30ª edição com dezenas de equipes de estudantes do ensino médio percorrendo cerca de 1.014 km, entre as cidades de Fort Worth e Fort Stockton, nos Estados Unidos. A prova dura cinco dias e impõe uma única restrição de combustível: os veículos só podem ser movidos pela energia solar.
A competição, fundada em 1993 pelo educador norte-americano Lehman Marks, reúne equipes de escolas de todo o país com o objetivo de construir o carro solar mais eficiente possível. O evento já envolveu mais de 85 mil estudantes de 39 estados dos EUA e de países como Canadá, México, Costa Rica, Espanha e Singapura. Atualmente, há mais de 260 projetos ativos de carros solares em escolas de ensino médio.
Os estudantes projetam e constroem os próprios veículos, utilizando peças comerciais e materiais impressos em 3D. A pontuação não é determinada pelo tempo de chegada, mas pela quilometragem acumulada.
Nova categoria de competição
Esta edição introduz a divisão “cruiser”, que se soma às categorias já existentes: classic, advanced e electric-solar power. No formato cruiser, as equipes constroem veículos de quatro lugares com painéis solares integrados à carroceria. A decisão de criar essa categoria surgiu de questionamentos recorrentes sobre se os carros solares algum dia se pareceriam com automóveis convencionais, em vez dos modelos achatados e aerodinâmicos com um piloto espremido sob um amplo painel solar que dominam a competição há décadas.
Marks declarou que o objetivo é demonstrar aplicações práticas da propulsão solar. “As pessoas diziam: ‘Oh, isso é muito legal, mas não é realidade'”, disse ele ao The Verge. “Agora podemos mostrar como poderia ser. E acho que isso é um avanço.”
Estudantes como protagonistas
O evento foi fundado após Marks identificar uma geração de alunos desestimulada pelo modelo de ensino baseado exclusivamente em livros didáticos. A virada aconteceu quando ele aceitou um convite de um amigo da Universidade do Norte do Texas para conhecer um carro solar universitário. A reação dos estudantes na visita foi imediata. “Fomos até lá e os alunos ficaram simplesmente hipnotizados pela complexidade do projeto solar”, relembrou Marks. “No caminho de volta para Dallas, eles não paravam de gritar: ‘Doc, por favor, deixa a gente construir um carro solar?'”
Marks cedeu ao pedido, mas percebeu que os alunos do ensino médio nunca conseguiriam competir em condições de igualdade com equipes universitárias, dada a diferença de recursos técnicos e financeiros. A competição exclusiva para o ensino médio nasceu desse diagnóstico, com o programa educacional iniciando em 1993 e a primeira competição nacional ocorrendo em 1995.
