Amazon pede que funcionários não usem IA só por usar
A Amazon encerrou o Kirorank, programa interno que classificava engenheiros conforme a utilização de ferramentas de IA. A decisão ocorreu após a empresa identificar manipulação das métricas por parte dos desenvolvedores. O vice-presidente sênior Dave Treadwell comunicou o cancelamento aos funcionários da companhia.
Manipulação do sistema gerou custos elevados
A companhia havia criado o Kirorank para registrar a atividade dos desenvolvedores no Kiro, ferramenta descrita internamente como o “Claude Code de Amazon”. O painel tinha como propósito estimular a adoção de IA entre os programadores.
De acordo com o Xataka, os funcionários identificaram brechas no sistema. Passaram a executar tarefas automatizadas sem valor real apenas para elevar suas posições no ranking. Os engenheiros utilizaram agentes autônomos baseados em MeshClaw (a versão da Amazon do OpenClaw) para rodar processos em loop que consumiam tokens continuamente.
Essa conduta elevou artificialmente os gastos com computação e infraestrutura da empresa. A prática não gerou benefícios práticos para a companhia.
Meta ambiciosa motivou comportamento inadequado
A liderança da Amazon estabeleceu que os programadores deveriam utilizar IA toda semana. A empresa criou o sistema de classificação para monitorar e comparar o uso da tecnologia entre os funcionários. A métrica de desempenho vinculada ao uso de IA gerou incentivo para que os engenheiros procurassem maneiras de elevar suas pontuações.
A Anthropic, empresa da qual a Amazon é o principal investidor, alterou recentemente seu modelo de cobrança. A companhia substituiu as tarifas mensais fixas por preços baseados exclusivamente no consumo de tokens. A mudança ampliou significativamente os custos para a Amazon quando os engenheiros passaram a consumir tokens de forma massiva.
Empresa desenvolve nova métrica de avaliação
Os desenvolvedores da Amazon não precisam mais utilizar o Kirorank. A companhia abandonou totalmente esta iniciativa de medição de desempenho baseada no uso de inteligência artificial.
Uma equipe da empresa está desenvolvendo uma nova métrica para substituir o sistema anterior. O novo objetivo será quantificar quantas vezes a interação com a IA resulta em linhas de código úteis que são efetivamente integradas aos produtos da empresa.
Treadwell instruiu os engenheiros a se concentrarem em criar melhores produtos em vez de consumir recursos de servidor sem propósito.
Executivo reconhece falha na estratégia
Dave Treadwell admitiu que o experimento foi originalmente concebido com “boas intenções”. O vice-presidente sênior reconheceu que o resultado prático acabou gerando um problema econômico devido ao tokenmaxxing, o termo que define a ação de inflar artificialmente o consumo de tokens para simular produtividade.
“Por favor, não use IA apenas por usar IA”, exigiu o executivo aos engenheiros da empresa.
Situação semelhante ocorreu em outras empresas
Funcionários da Meta e da Microsoft vivenciaram situações idênticas. Empregados manipularam rankings internos de uso de inteligência artificial mediante consumo massivo de tokens.
Para a Amazon, a situação representa uma ironia particular. A companhia vem executando há meses ondas de demissões em massa para reduzir custos e financiar seu plano de investimentos em infraestrutura de centros de dados e inteligência artificial.
