IA já custa mais que Apollo, ISS e Projeto Manhattan juntos
Investidores aplicaram aproximadamente US$ 1,6 trilhão em inteligência artificial desde 2013. O montante supera os custos combinados do Projeto Manhattan, do programa Apollo e da ISS (Estação Espacial Internacional), segundo análises da Reuters e do relatório AI Index Report 2025 da Universidade Stanford. As projeções indicam que os gastos com IA podem atingir US$ 2,5 trilhões em 2026.
O volume de recursos destinados à infraestrutura de IA já ultrapassou, em valores ajustados pela inflação, os cerca de US$ 36 bilhões do Projeto Manhattan e os estimados US$ 250 bilhões a US$ 300 bilhões do programa Apollo. A expansão está sendo impulsionada pela construção massiva de datacenters, sistemas de energia, chips de IA e infraestrutura necessária para suportar modelos cada vez mais potentes. De acordo com o TechRadar, a magnitude desses investimentos reflete uma transformação sem precedentes na indústria de tecnologia. Isso com implicações que vão muito além do desenvolvimento de software.
A Bridgewater Associates, por exemplo, estima que Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft podem gastar coletivamente cerca de US$ 650 bilhões em infraestrutura de IA em 2026. Microsoft, Google, Amazon e Meta continuam investindo agressivamente na construção de datacenters.
Mais investimentos em IA
A aceleração dos investimentos está relacionada à demanda crescente por capacidade computacional para o desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial mais avançados. Sam Altman, CEO da OpenAI, por exemplo, tem enfatizado repetidamente a necessidade de mais poder computacional para avançar em direção à Inteligência Geral Artificial Avançada (AGI). Ou seja, mais fileiras de servidores que processam solicitações de IA.
A construção e operação desses centros de dados envolvem custos elevados. Os gastos estão especialmente relacionados às demandas de energia e sistemas de refrigeração. Fazendas gigantescas de servidores equipadas com chips especializados, sistemas enormes de refrigeração e grandes fornecimentos de eletricidade estão sendo erguidas globalmente.
Analistas começam a questionar se a indústria consegue sustentar fisicamente o ritmo de expansão. Há dúvidas sobre a disponibilidade de recursos humanos e materiais suficientes para manter o crescimento atual.
Bancos estão tentando transferir os riscos associados a uma grande onda de dívidas de datacenters, segundo o Financial Times. O boom da infraestrutura de IA empurra os principais credores em direção aos seus limites de financiamento. Permanece incerto se o setor está se aproximando de um território de bolha especulativa.
Além disso, a corrida pela IA continua sendo disputada tanto em tribunais quanto em datacenters. Isso porque a disputa transforma-se em uma mudança industrial medida não em aplicativos, mas em redes elétricas, fábricas, chips, terrenos, água e trilhões de dólares.
