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Belugas invadem câmera ao vivo em rio gelado do Canadá

Transmissão em tempo real permite observar comportamento de cetáceos e contribui para pesquisa com ciência cidadã.
Imagem: YouTube

A câmera ao vivo de baleias beluga entrou em operação no último dia 4, data marcada como o Dia do Gelo do Mar Ártico, transmitindo imagens dos cetáceos em suas águas de verão no Canadá. A transmissão é realizada pela Polar Bears International (PBI) e pela plataforma explore.org a partir da embarcação The Sea Canary, também conhecida como Beluga Boat.

A iniciativa oferece duas perspectivas simultâneas: uma câmera acima da superfície da água e outra subaquática, além de captação de som via hidrofone. Os espectadores poderão ouvir as vocalizações frequentes dos animais e acompanhar as interações entre os grupos familiares. Assista:

De acordo com a Popular Science, cerca de 57 mil baleias beluga (Delphinapterus leucas) migram anualmente para as águas costeiras do sul do Canadá nos meses de verão, quando o gelo recua. Os animais se deslocam até o Rio Churchill, que deságua na Baía de Hudson, onde se alimentam, trocam de pele e dão à luz filhotes nas águas rasas da região.

Ciência cidadã e rastreamento de ursos

A câmera de beluga também sustenta o Projeto de Ciência Cidadã Beluga Bits. Mais de 40 mil voluntários já registraram mais de 10 milhões de classificações fotográficas de baleias, contribuindo com pesquisas sobre uma espécie difícil de monitorar no habitat natural. Voluntários anteriores chegaram a identificar duas espécies de medusa que nunca haviam sido registradas na Baía de Hudson.

Alysa McCall, diretora de alcance em conservação e bióloga da PBI, descreveu o comportamento dos animais diante das câmeras. “Você verá todos esses grupos familiares nadando juntos. As mães cuidam dos filhotes nessas linhagens maternas”, afirmou McCall à Popular Science. “Elas gostam de seguir o barco na esteira. Vamos bem devagar e as baleias simplesmente acompanham. Elas gostam de ficar na frente da câmera. Trazem seus filhotes até a câmera e ficam conversando o dia todo.”

No mesmo dia, a PBI lançou também o primeiro Rastreador de Ursos Polares de Svalbard. Desenvolvido em parceria com o Instituto Polar Norueguês, o projeto acompanha dois ursos polares da região do Mar de Barents ao redor de Svalbard, arquipélago localizado entre o norte da Noruega e o Polo Norte.

O novo rastreador segue o modelo do Rastreador de Ursos Polares da Baía de Hudson, em operação há mais de dez anos em parceria com a Universidade de Alberta e o Departamento de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas do Canadá. A ferramenta acaba de receber uma atualização que exibe animações dos trajetos percorridos pelos animais ao longo do ano. Entre os ursos monitorados está Hope, uma fêmea que adotou um filhote no outono de 2025.

Krista Wright, diretora executiva da PBI, afirmou a importância do ecossistema ártico para o clima global. “No Dia do Gelo do Mar Ártico, estamos animados em conectar pessoas ao redor do mundo enquanto celebramos esse ecossistema especial e inspiramos ações de conservação para proteger não apenas os ursos polares, mas todo o ecossistema ártico interconectado”, declarou Wright. “O que acontece no Ártico não fica no Ártico. Cada fração de grau de aquecimento importa, para os ursos polares, para a vida selvagem ártica e para o nosso clima global compartilhado.”

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