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Este planeta não é mais um “irmão da Terra”

Dados do telescópio James Webb mostram mais informações sobre o exoplaneta TRAPPIST-1d
NASA/ESA/CSA/Joseph Olmsted

Novos dados do Telescópio Espacial James Webb indicam que não há atmosfera semelhante à da Terra no terceiro planeta que orbita o sistema TRAPPIST-1. Segundo cientistas, isso significa que o chamado TRAPPIST-1d sai da lista de planetas que podem ser similares ou semelhantes à Terra.

Anteriormente, outros dois planetas que orbitam a estrela anã vermelha já foram estudados e também não preencheram os requisitos de características parecidas a da atmosfera terrestre.

No entanto, ainda restam quatro outros astros a serem estudados — ao menos dois deles estão na região habitável, lugar onde onde as temperaturas poderiam permitir a existência de água líquida e, portanto, mais amigável à vida.

“No fim das contas, queremos saber se algo parecido com o ambiente que temos na Terra pode existir em outro lugar, e sob quais condições,” disse ao Space a pesquisadora Caroline Piaulet-Ghorayeb, da Universidade de Chicago, nos EUA, e do Instituto Trottier de Pesquisa em Exoplanetas da Universidade de Montreal, no Canadá.

Os resultados da pesquisa foram publicados no The Astrophysical Journal

Entenda o estudo sobre o TRAPPIST-1

Em geral, há sete planetas que orbitam o sistema TRAPPIST-1, há cerca de 40 anos-luz de distância da Terra. Todos eles se movimentam passando na frente da estrela. 

O contorno desses astros não é visível nem ao menos para o James Webb. No entanto, o telescópio pode detectar onde a atmosfera de cada planeta absorve a luz da estrela durante esse trânsito. A técnica tem o nome espectroscopia de transmissão.

Para isso, o James Webb usou um espectrômetro de infravermelho, chamado NIRSpec. Ainda assim, o telescópio não encontrou evidências de água, metano ou dióxido de carbono.

Essas substâncias são comuns na atmosfera terrestre e atuam como gases de efeito estufa naturais, ajudando a reter o calor e manter o planeta quente o suficiente para a existência de água líquida.

Segundo os pesquisadores envolvidos, isso pode acontecer por diversos motivos. Um deles é a probabilidade do planeta TRAPPIST-1d ter uma atmosfera extremamente fina, difícil de detectar, como Marte.

Também pode ter nuvens muito espessas e em grande altitude. Outra possibilidade é a própria estrela, uma anã vermelha, ter erupções de radiação. Dessa forma, removeria a atmosfera dos planetas próximos.

Bárbara Giovani

Bárbara Giovani

Jornalista de ciência que também ama música e cinema. Já publicou na Agência Bori e participa do podcast Prato de Ciência.