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Siri mais inteligente também pode ser mais invasiva

Nova versão do assistente virtual utiliza modelos Gemini e GPUs em nuvem privada, mas usuários questionam privacidade ao permitir que IA acesse informações pessoais armazenadas nos dispositivos.
Imagem: YouTube

A Apple lançou a nova versão da Siri AI, desenvolvida em parceria com Google e Nvidia. O assistente virtual integra a Apple Intelligence, sistema de inteligência artificial da empresa apresentado inicialmente em 2024. A atualização utiliza processamento local nos dispositivos e computação em nuvem privada para proteger informações dos usuários, mas o acesso a dados pessoais armazenados nos aparelhos levanta questionamentos sobre privacidade.

A nova Siri AI opera com modelos Gemini do Google e funciona em GPUs da Nvidia dentro da infraestrutura de nuvem do Google. A parceria representa mudança na estratégia da companhia, que anteriormente desenvolvia todas as funcionalidades internamente. Segundo informações do Tom’s Guide, a implementação dessa colaboração tecnológica marca um ponto de inflexão na abordagem da Apple em relação ao desenvolvimento de inteligência artificial.

A Apple não conseguiu criar sozinha todas as capacidades necessárias para a atualização da Siri AI. Por isso, a empresa estabeleceu as parcerias com Google e Nvidia como forma mais rápida de disponibilizar o upgrade ao público. A companhia precisou adaptar sua abordagem para viabilizar recursos avançados de inteligência artificial que exigem processamento além das capacidades dos dispositivos individuais.

Requisitos técnicos e arquitetura de segurança

A Apple Intelligence funciona apenas em dispositivos com no mínimo 8GB de RAM. A ênfase no processamento local explica essa limitação técnica. A inteligência artificial demanda recursos computacionais significativos. Existem funcionalidades que não podem ser executadas fisicamente em um smartphone, mesmo nos modelos mais potentes.

O processamento da Siri AI ocorre em dois ambientes. Quando possível, opera localmente nos dispositivos dos usuários. Para tarefas que excedem a capacidade dos aparelhos, utiliza a infraestrutura de nuvem do Google equipada com GPUs da Nvidia.

A Apple desenvolveu o Private Cloud Compute há dois anos. O sistema permite que dados sejam processados apenas durante a duração de cada solicitação. Não há armazenamento em servidores externos. A empresa afirmou que os dados permaneceriam inacessíveis.

Além disso, a companhia se comprometeu a submeter toda a arquitetura à inspeção de pesquisadores de segurança independentes.

Funcionamento da parceria tecnológica

A inteligência artificial em nuvem da Apple Intelligence opera em GPUs da Nvidia dentro da infraestrutura de nuvem do Google. O Private Cloud Compute trabalha em conjunto com o Confidential Computing da Nvidia.

O Confidential Computing é um sistema de hardware que garante segurança dos dados processados na nuvem. A Apple estabelece regras que impedem o armazenamento de dados. A Nvidia construiu os sistemas que previnem acesso não autorizado. Embora sejam tecnicamente servidores do Google, devido à dependência da Siri AI nos modelos Gemini, os mesmos compromissos de privacidade da Apple continuam sendo aplicados.

A Apple vem promovendo sua abordagem de privacidade há quase uma década. A filosofia da empresa estabelece que a inteligência artificial deve utilizar processamento local sempre que possível. A Siri AI foi construída para operar no telefone sem enviar dados para servidores na nuvem quando os dados nunca saem do dispositivo do usuário.

Relato de usuário sobre desconforto com IA contextual

Um usuário de smartphones desativou recursos de inteligência artificial contextual em seus dispositivos. A decisão ocorreu após testes com funcionalidades que acessam informações pessoais armazenadas nos aparelhos. A principal razão apontada foi o desconforto com máquinas localizando e apresentando dados sem solicitação direta.

O usuário testou o Magic Cue, recurso do Google Pixel 10 Pro, durante avaliação do aparelho. A funcionalidade demonstrou capacidade de apresentar informações relevantes durante ligações telefônicas. Ao ligar para o veterinário, o sistema exibiu automaticamente a data da próxima consulta do cachorro do usuário. A informação apresentada era algo que o usuário pretendia perguntar, pois não conseguia localizar o e-mail de confirmação na caixa de entrada.

Dois motivos levaram à desativação do Magic Cue. O primeiro foi a baixa frequência de uso efetivo da funcionalidade. O segundo foi a sensação de invasão de privacidade causada pela forma como o sistema localizava e apresentava informações.

A preocupação com o Google influenciou a decisão. O usuário expressou dificuldade em confiar nas declarações da empresa sobre privacidade, considerando que a maior parte da receita da companhia provém de publicidade. A preocupação central era permitir acesso irrestrito a dados pessoais por uma empresa com esse modelo de negócios.

Posição sobre privacidade e inteligência artificial

O usuário declarou não ser entusiasta de inteligência artificial de forma geral. Para ele, a perspectiva de IA aprimorada em smartphones não representa um atrativo de venda, mas sim um motivo para considerar outros dispositivos. O relato indica que o usuário não utiliza comandos de voz, exceto quando está dirigindo, preferindo executar tarefas manualmente.

O Tom’s Guide reconhece que o foco da Apple em privacidade é positivo. A transformação de dados pessoais em commodity sobre a qual os usuários têm pouco controle foi descrita como perturbadora. Qualquer medida para prevenir isso foi considerada digna de celebração.

O usuário afirmou que toda a privacidade e segurança disponíveis não alteram o fato de que recursos de IA contextual causam desconforto. A sensação de estranheza persiste independentemente da informação apresentada ou de sua relevância para a situação. O usuário manifestou incerteza sobre a possibilidade de superar o desconforto com recursos de inteligência artificial contextual.

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