2023 © Copyright 404 - Todos os direitos reservados

Seu cérebro pode melhorar até depois dos 90

Estudo acompanhou quase 4 mil adultos por três anos e encontrou melhora cerebral até em participantes idosos.
Imagem: Unsplash

Um estudo de três anos com 3.966 adultos, de 19 a 94 anos, indica que a saúde cerebral pode melhorar em qualquer idade. A pesquisa, publicada no Scientific Reports, questiona a ideia de que envelhecer significa perder clareza mental de forma inevitável.

O que o estudo acompanhou

A pesquisa analisou participantes do BrainHealth Project, iniciativa lançada em 2020 pelo Center for BrainHealth, da Universidade do Texas, nos EUA.

O grupo acompanhado representa cerca de um quinto dos participantes do projeto. Durante três anos, os voluntários realizaram atividades breves de treinamento cerebral de 5 a 15 minutos por dia.

Os pesquisadores observaram ganhos em diferentes áreas. A lista inclui clareza de pensamento, equilíbrio emocional e senso de conexão com pessoas e propósito.

Como os cientistas mediram a melhora

A equipe usou o BrainHealth Index, avaliação criada por pesquisadores do centro e apresentada em um estudo piloto de 2021.

O índice reúne cerca de 20 métricas. Ele combina medidas reconhecidas, como o Pittsburgh Sleep Quality Index e o Oxford Happiness Questionnaire, com tarefas criadas para avaliar pensamento mais complexo.

Lori Cook, diretora de pesquisa clínica do Center for BrainHealth, afirmou que o método compara cada pessoa com seu próprio desempenho anterior.

“Todo cérebro é tão único quanto uma impressão digital e tem potencial de crescimento”, disse Cook ao ScienceDaily. Para ela, os dados desafiam a narrativa de declínio cognitivo inevitável.

A idade não definiu quem melhorou

Os pesquisadores observaram mudanças positivas até em participantes na faixa dos 80 anos. Isso sugere que cuidar do cérebro pode trazer ganhos antes de sintomas ou doenças aparecerem.

Sandra Bond Chapman, autora sênior do estudo, afirmou que a sociedade esperou por tempo demais até algo dar errado no cérebro. “Este estudo nos lembra que nosso cérebro não é definido pela idade. Ele é definido pela possibilidade”, disse Chapman.

A melhora apareceu com mais força entre pessoas que começaram com os menores índices de saúde cerebral. Esse grupo tinha mais espaço para avançar.

Cook também destacou que houve crescimento mensurável entre participantes que já começaram com alto desempenho.

Engajamento contou mais que perfil social

O fator mais associado à melhora foi o engajamento nas atividades. Idade, gênero e escolaridade não determinaram quem apresentou mudança positiva.

Ou seja, pequenos hábitos repetidos podem contar mais do que a expectativa criada pela idade.

A própria equipe reconhece limites na amostra. A maioria dos participantes era branca, mulher e tinha ensino superior.

Cook afirmou que o projeto trabalha para ampliar a representação de outros grupos demográficos. Isso ajudará a entender melhor como os resultados se aplicam à população geral.

O que vem depois

O BrainHealth Project continua coletando dados de longo prazo. Cerca de 400 participantes da região de Dallas, nos EUA, já fizeram mais de 1.200 exames de imagem cerebral.

A meta agora envolve relacionar mudanças no BrainHealth Index com possíveis mecanismos observáveis no cérebro.

A mensagem do estudo é que a saúde cerebral exige prática, acompanhamento e constância. A idade pesa, mas não encerra a capacidade de melhora.

Assine a newsletter do Giz Brasil

Hemerson Brandão

Hemerson Brandão

É editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.