Vacina experimental amplia defesa contra gripe
Uma vacina experimental de RNA mensageiro contra a gripe gerou resposta imune mais ampla que a vacina tradicional. O estudo, liderado pela Escola de Medicina da Universidade de Washington em St. Louis, nos EUA, avaliou adultos norte-americanos e saiu na Nature Immunology.
O que muda para quem toma vacina todo ano
A gripe infecta cerca de 1 bilhão de pessoas por ano no mundo. As vacinas atuais reduzem internações e mortes, mas perdem força quando as cepas escolhidas não combinam bem com os vírus em circulação.
A vacina mRNA-1010, desenvolvida pela Moderna, ajudou o sistema imune a reconhecer uma variedade maior de vírus influenza.
A FDA, órgão regulatório dos EUA, analisa a vacina. Caso receba aprovação, ela será a primeira vacina contra influenza baseada em RNA mensageiro.
Por que a gripe escapa tão bem
O vírus influenza muda enquanto circula entre pessoas. Pequenas mutações alteram suas proteínas de superfície e dificultam o reconhecimento por anticorpos.
As vacinas tradicionais precisam de meses de produção antes da temporada de gripe. Quando a previsão erra, a eficácia pode cair de cerca de 60% em um bom ano para 19%.
Uma resposta imune mais ampla pode reduzir esse problema. O vírus teria mais dificuldade para escapar com poucas mutações.
Ali Ellebedy, autor sênior do estudo, afirmou ao MedicalXpress que a vacina de RNA não apenas reforça respostas já conhecidas. Segundo ele, ela também amplia e diversifica os anticorpos contra mais cepas.
Como o estudo comparou as vacinas
Os pesquisadores acompanharam 75 adultos de 20 a 50 anos nas temporadas de 2022-2023 ou 2023-2024.
Cerca de metade recebeu a vacina experimental mRNA-1010. Ela entrega instruções genéticas para o corpo produzir proteínas de quatro cepas de influenza.
A outra metade recebeu a Fluarix, vacina aprovada que contém partes inativadas de quatro vírus cultivados em ovos. As duas plataformas usaram as mesmas cepas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde.
A análise do sangue mostrou resposta mais forte no grupo da vacina de RNA. Esses participantes produziram mais anticorpos específicos contra gripe e mais células B de memória.
Aumentando a proteção
As células B de memória funcionam como um arquivo de defesa. Elas ajudam o corpo a produzir anticorpos rapidamente quando encontra o vírus outra vez.
O estudo também analisou centros germinativos nos linfonodos. Esses centros treinam células B para reconhecer melhor o vírus e criar variações de anticorpos.
Entre 13 pessoas que receberam a vacina de RNA, cinco tiveram respostas específicas contra gripe nos centros germinativos durante 26 semanas. O grupo da vacina tradicional, com 15 participantes nessa etapa, não apresentou resposta persistente igual.
Do quarto mês após a vacinação até o fim do estudo, aos seis meses, os anticorpos do grupo de RNA reconheceram muitas cepas de diferentes décadas.
O que ainda precisa ficar claro
A Moderna encontrou, em outro estudo de fase 3, redução de 26,6% maior no risco de adoecimento em idosos, na comparação com a vacina padrão.
O novo trabalho não encerra a discussão, pois avaliou apenas avaliou adultos de 20 a 50 anos e acompanhou parte dos participantes por 26 semanas.
Porém, uma vacina mais ampla poderia reduzir falhas por troca de cepas e melhorar a proteção em temporadas imprevisíveis.
