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Vacina experimental amplia defesa contra gripe

Estudo mostra que vacina de RNA contra gripe ativou anticorpos mais diversos e células B de memória por até 26 semanas.
Imagem: Unsplash

Uma vacina experimental de RNA mensageiro contra a gripe gerou resposta imune mais ampla que a vacina tradicional. O estudo, liderado pela Escola de Medicina da Universidade de Washington em St. Louis, nos EUA, avaliou adultos norte-americanos e saiu na Nature Immunology.

O que muda para quem toma vacina todo ano

A gripe infecta cerca de 1 bilhão de pessoas por ano no mundo. As vacinas atuais reduzem internações e mortes, mas perdem força quando as cepas escolhidas não combinam bem com os vírus em circulação.

A vacina mRNA-1010, desenvolvida pela Moderna, ajudou o sistema imune a reconhecer uma variedade maior de vírus influenza.

A FDA, órgão regulatório dos EUA, analisa a vacina. Caso receba aprovação, ela será a primeira vacina contra influenza baseada em RNA mensageiro.

Por que a gripe escapa tão bem

O vírus influenza muda enquanto circula entre pessoas. Pequenas mutações alteram suas proteínas de superfície e dificultam o reconhecimento por anticorpos.

As vacinas tradicionais precisam de meses de produção antes da temporada de gripe. Quando a previsão erra, a eficácia pode cair de cerca de 60% em um bom ano para 19%.

Uma resposta imune mais ampla pode reduzir esse problema. O vírus teria mais dificuldade para escapar com poucas mutações.

Ali Ellebedy, autor sênior do estudo, afirmou ao MedicalXpress que a vacina de RNA não apenas reforça respostas já conhecidas. Segundo ele, ela também amplia e diversifica os anticorpos contra mais cepas.

Como o estudo comparou as vacinas

Os pesquisadores acompanharam 75 adultos de 20 a 50 anos nas temporadas de 2022-2023 ou 2023-2024.

Cerca de metade recebeu a vacina experimental mRNA-1010. Ela entrega instruções genéticas para o corpo produzir proteínas de quatro cepas de influenza.

A outra metade recebeu a Fluarix, vacina aprovada que contém partes inativadas de quatro vírus cultivados em ovos. As duas plataformas usaram as mesmas cepas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde.

A análise do sangue mostrou resposta mais forte no grupo da vacina de RNA. Esses participantes produziram mais anticorpos específicos contra gripe e mais células B de memória.

Aumentando a proteção

As células B de memória funcionam como um arquivo de defesa. Elas ajudam o corpo a produzir anticorpos rapidamente quando encontra o vírus outra vez.

O estudo também analisou centros germinativos nos linfonodos. Esses centros treinam células B para reconhecer melhor o vírus e criar variações de anticorpos.

Entre 13 pessoas que receberam a vacina de RNA, cinco tiveram respostas específicas contra gripe nos centros germinativos durante 26 semanas. O grupo da vacina tradicional, com 15 participantes nessa etapa, não apresentou resposta persistente igual.

Do quarto mês após a vacinação até o fim do estudo, aos seis meses, os anticorpos do grupo de RNA reconheceram muitas cepas de diferentes décadas.

O que ainda precisa ficar claro

A Moderna encontrou, em outro estudo de fase 3, redução de 26,6% maior no risco de adoecimento em idosos, na comparação com a vacina padrão.

O novo trabalho não encerra a discussão, pois avaliou apenas avaliou adultos de 20 a 50 anos e acompanhou parte dos participantes por 26 semanas.

Porém, uma vacina mais ampla poderia reduzir falhas por troca de cepas e melhorar a proteção em temporadas imprevisíveis.

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Hemerson Brandão

Hemerson Brandão

É editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.