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Notebook com IA vale a pena ou virou exagero?

Googlebook aposta em IA no cursor e widgets, mas pode repetir a rejeição vista em recursos do Windows 11.
Imagem: Google

O Google anunciou o Googlebook, uma nova plataforma de notebook premium com foco forte em inteligência artificial. A proposta aposta em recursos com Gemini no cursor, widgets criados por comando de texto e automações contextuais, mas reacende uma simples pergunta: quem pediu isso?

O que muda para quem usa notebook

O Googlebook tenta transformar a IA em parte constante da experiência no computador. A ideia não envolve apenas um chatbot aberto em uma janela. O sistema quer levar sugestões inteligentes para ações comuns, como apontar o cursor para um e-mail, uma data ou uma imagem.

O recurso mais chamativo se chama Magic Pointer. Ele torna o cursor sensível ao contexto e sugere ações com IA a partir do elemento selecionado.

Ao balançar o ponteiro sobre uma data em um e-mail, o Gemini pode sugerir a criação de uma reunião. Ao apontar para uma imagem e selecionar outra, o sistema pode combinar os dois arquivos.

O problema da IA que procura uma função

O Googlebook também promete criar widgets personalizados por comando de texto. O usuário pode pedir um painel para uma viagem, e o Gemini reunirá informações relacionadas.

Só tem um detalhe: a maioria dos usuários espera de um notebook bateria melhor, desempenho estável, tela boa, menos travamentos, mais segurança e menos distrações. Criar widgets por IA ou adicionar sugestões ao cursor não costuma aparecer no topo dessa lista.

Esse é o principal risco do Googlebook. A empresa parece começar pela pergunta “o que a IA consegue fazer?” em vez de partir da pergunta “qual problema real do usuário?”.

O alerta vindo do Windows 11

De acordo com o Hot-To-Geek, a Microsoft já enfrentou essa rejeição ao promover PCs Copilot+ e recursos de IA no Windows. O caso mais simbólico foi o Windows Recall, que criava uma linha do tempo pesquisável das atividades no computador por meio de capturas de tela frequentes.

A reação negativa veio por causa de privacidade e segurança. A Microsoft adiou o recurso, tornou o uso opcional e passou a armazenar os registros localmente no aparelho.

A empresa também ajustou ferramentas como Notepad e Snipping Tool, após críticas sobre recursos de IA considerados intrusivos ou fáceis de ignorar.

Ou seja, quando a IA entra em áreas sensíveis do sistema, o usuário quer controle, clareza e botão para desligar.

Quando a IA faria sentido no notebook

Recursos de IA podem ter valor real no notebook. O problema aparece quando eles viram demonstração técnica, não melhoria de rotina.

Uma função útil poderia identificar processos que drenam a bateria fora da tomada e encerrá-los com segurança. Outra poderia organizar arquivos duplicados, resumir reuniões locais ou alertar sobre permissões arriscadas.

O critério deveria ser prático. A IA precisa economizar tempo, reduzir risco, melhorar bateria, aumentar segurança ou remover tarefas repetitivas.

Por isso, ainda de acordo com o How-To-Geek, o Googlebook chega em um momento de cansaço com promessas genéricas de inteligência artificial. Para convencer, ele terá de provar que seus recursos não são enfeites de lançamento, mas ferramentas que continuam úteis depois da primeira semana.

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Hemerson Brandão

Hemerson Brandão

É editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.