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VÍDEO: mão robótica imita a Mãozinha de “Wandinha”

Dispositivo desenvolvido consegue dobrar dedos para trás e navegar em espaços estreitos; assista
Imagem: Netflix/Reprodução

Cientistas do Instituto Federal Suíço de Tecnologia em Lausanne, na Suíça, desenvolveram uma mão robótica com capacidades que superam as limitações anatômicas humanas. O dispositivo consegue se movimentar sobre as pontas dos dedos, dobrar os dedos para trás e se conectar ou desconectar de um braço robótico. O movimento lembra o feito pela Mãozinha, personagem de “A Família Adams” e “Wandinha“.

A tecnologia permite que o robô navegue e recupere objetos em espaços muito estreitos para mãos humanas. Além disso, a mão robótica possui habilidades que vão além das possibilidades anatômicas humanas, como dobrar os dedos para trás com a mesma facilidade com que os dobra para frente.

De acordo com o ScienceNews, essa flexibilidade inédita representa um avanço significativo na robótica biomimética.

Mãozinha robôtica

O projeto utilizou uma ferramenta de aprendizado de máquina chamada algoritmo genético para simular como diferentes combinações de características robóticas funcionariam juntas. Assim, por meio desse método, a equipe conseguiu otimizar gradualmente o design e criar vários projetos para robôs em formato de mão capazes de rastejar, agarrar e transportar objetos.

Aude Billard, especialista em robótica e inteligência artificial, liderou a pesquisa. Os cientistas construíram em laboratório duas versões do robô: uma com cinco dedos e outra com seis dedos.

Testes e funcionalidades

Nos experimentos realizados, quando separado do braço, o robô demonstrou maior estabilidade ao caminhar sobre quatro ou cinco dedos, utilizando um ou dois dedos para agarrar e transportar objetos.

Durante uma série de testes com ambos os protótipos, a mão se desconectou do braço robótico e usou seus dedos como pernas para se deslocar até um bloco de madeira. Assim, ao alcançar o alvo, pegou o bloco com um dedo e o carregou de volta ao braço. Assista:

“É um sonho meu há muitos, muitos anos projetar uma nova mão que se afaste das mãos antropomórficas”, afirma Aude Billard. “Isso está permitindo que as pessoas pensem fora da caixa, repensem o que é ter uma mão ou um dedo.”

Aplicações futuras

O dispositivo poderá auxiliar em inspeções industriais de tubulações e equipamentos muito pequenos para acesso humano ou de robôs maiores. A tecnologia também tem potencial para recuperar objetos em armazéns ou navegar em espaços confinados durante operações de resposta a desastres. Existe ainda a possibilidade de funcionar como uma mão protética.

Matei Ciocarlie, engenheiro mecânico da Universidade Columbia que não participou da pesquisa, comentou que o estudo “é um belo exemplo do que você pode alcançar se abordar o design robótico sem ser sobrecarregado por todas as restrições do fator humano”.

Billard ressalta que ainda não se sabe exatamente como cérebros humanos controlariam e responderiam a membros que não correspondem à anatomia humana, caso a tecnologia fosse aplicada como prótese. A pesquisadora afirma que mais estudos são necessários nessa área.

Xiao Gao, roboticista da Universidade de Wuhan na China, sugere que o robô rastejante poderia um dia auxiliar em diversas aplicações práticas, desde inspeções industriais até operações de resgate.

A revista científica Nature Communications publicou a inovação.

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