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Novo exame de sangue pode ajudar a detectar Alzheimer mais cedo

Teste analisa alterações estruturais no plasma e identifica estágio da doença com 83% de precisão geral
Imagem: Unsplash/Reprodução

Um teste sanguíneo desenvolvido pelo Scripps Research, nos EUA, detecta a doença de Alzheimer analisando alterações na estrutura de três proteínas do plasma. A pesquisa envolveu 520 pessoas divididas em três grupos: adultos cognitivamente normais, indivíduos com comprometimento cognitivo leve (MCI) e pacientes diagnosticados com Alzheimer. A revista Nature Aging publicou o estudo.

O método difere dos testes convencionais porque examina como as proteínas se dobram no sangue, em vez de apenas medir suas concentrações. A equipe científica utilizou espectrometria de massa para determinar o grau de exposição ou ocultação de locais específicos dentro das proteínas. Posteriormente, aplicou técnicas de aprendizado de máquina para identificar padrões conectados ao estágio da doença.

De acordo com o ScienceDaily, essa abordagem inovadora representa um avanço significativo na detecção precoce de doenças neurodegenerativas.

Três proteínas revelam estágio da doença

A análise identificou três proteínas plasmáticas com forte correlação ao status do Alzheimer. A C1QA desempenha papel na sinalização imunológica. A clusterina participa do dobramento de proteínas e da remoção de amiloide. A apolipoproteína B transporta gorduras na corrente sanguínea e contribui para a saúde dos vasos sanguíneos.

Os resultados mostraram um padrão claro: à medida que o Alzheimer progredia, essas proteínas do sangue se tornavam estruturalmente menos abertas. Dessa forma, as mudanças estruturais demonstraram ser mais informativas para identificar o estágio da doença do que a simples medição das concentrações de proteínas.

O teste classificou os participantes como cognitivamente normais, com MCI ou com Alzheimer com cerca de 83% de precisão geral. Na comparação direta entre dois grupos, como indivíduos saudáveis versus aqueles com MCI, a precisão ultrapassou 93%.

Precisão mantida ao longo do tempo

Em testes repetidos realizados com meses de intervalo, o painel identificou o status da doença com aproximadamente 86% de precisão. O método também refletiu mudanças no diagnóstico ao longo do tempo.

A pontuação estrutural mostrou forte relação com os resultados de testes cognitivos. Apresentou associação mais moderada com medições de ressonância magnética da atrofia cerebral. O modelo baseado nas três proteínas permaneceu confiável quando testado em grupos independentes de participantes e quando os pesquisadores analisaram amostras de sangue coletadas meses depois.

“A correlação foi surpreendente,” afirmou o coautor Casimir Bamberger, cientista sênior do Scripps Research. “Foi muito surpreendente encontrar três sítios de lisina em três proteínas diferentes que se correlacionam tão fortemente com o estado da doença.”

Foco na proteostase

Os pesquisadores partiram da hipótese de que mudanças na estrutura das proteínas impulsionam doenças neurodegenerativas. “Muitas doenças neurodegenerativas são impulsionadas por alterações na estrutura das proteínas.” afirmou John Yates, professor do Scripps Research e autor sênior do estudo. “A questão era: existem alterações estruturais em proteínas específicas que poderiam ser úteis como marcadores preditivos?”, acrescentou.

Os cientistas acreditam cada vez mais que o Alzheimer pode envolver uma falha mais ampla na proteostase. Isso porque esse sistema é responsável por manter as proteínas adequadamente dobradas e remover as danificadas. Com o envelhecimento, ele se torna menos eficaz. Ou seja, as proteínas ficam mais propensas a se dobrarem incorretamente durante a produção ou manutenção.

A pesquisa propõe que, se a proteostase está interrompida no cérebro, mudanças estruturais similares também podem aparecer nas proteínas que circulam pelo sangue. Portanto, essa relação ainda está sendo investigada.

Diferença em relação aos testes atuais

Os testes diagnósticos atuais normalmente medem os níveis de duas proteínas no sangue ou no líquido espinhal: beta amiloide (Aβ) e tau fosforilada (p-tau). Esses biomarcadores são amplamente utilizados. Isso porque eles podem não refletir completamente as mudanças biológicas mais precoces que ocorrem à medida que a doença se desenvolve.

A análise da estrutura proteica no sangue pode complementar os testes existentes de amiloide e tau. Como este método se concentra em mudanças estruturais conectadas à biologia subjacente da doença, pode ajudar os pesquisadores a identificar estágios da doença, monitorar a progressão e avaliar o funcionamento dos tratamentos, por exemplo.

Próximos passos da pesquisa

Porém, antes do uso do exame de sangue em ambientes clínicos, os cientistas precisam realizar estudos maiores com períodos de acompanhamento mais longos para confirmar os resultados. Aliás, os pesquisadores estão explorando a possibilidade de usar o mesmo método de perfil estrutural em outras doenças, incluindo Parkinson e câncer, por exemplo.

“A detecção precoce de marcadores da doença de Alzheimer é absolutamente crucial para o desenvolvimento de terapias eficazes”, declarou Yates. “Se o tratamento puder começar antes que danos significativos sejam causados, talvez seja possível preservar melhor a memória de longo prazo.”

A doença de Alzheimer afeta aproximadamente 7,2 milhões de americanos com 65 anos ou mais, de acordo com a Associação de Alzheimer. Assim, o método poderia eventualmente permitir que o diagnóstico e o tratamento comecem mais cedo.

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