Remédio para colesterol pode reduzir em 31% o risco de infarto
Um medicamento potente para reduzir o colesterol pode antecipar a prevenção de eventos cardíacos graves em pessoas com diabetes de alto risco. Pesquisadores relataram que o evolocumabe cortou em 31% o risco de primeiro infarto, AVC isquêmico ou morte por doença coronária em pacientes que ainda não tinham aterosclerose significativa diagnosticada. O resultado sugere uma mudança importante na forma de pensar a prevenção cardiovascular antes do aparecimento de obstruções mais evidentes nas artérias.
A descoberta foi apresentada na sessão científica anual do Colégio Americano de Cardiologia, nos EUA, e publicada ao mesmo tempo na revista JAMA. O estudo envolveu pacientes com diabetes considerados de alto risco, mesmo sem acúmulo importante de placas nas paredes arteriais.
O que muda na prevenção cardiovascular
Por mais de uma década, estratégias mais intensivas de redução do colesterol ficaram concentradas em pessoas que já tinham doença cardiovascular estabelecida. Agora, os novos dados indicam benefício também em um grupo que ainda não entrou nessa fase.
Nicholas A. Marston, cardiologista do Instituto Cardíaco e Vascular Brigham General de Massachusetts, nos EUA, afirmou que os resultados mostram a vantagem de reduzir o colesterol de forma intensiva mais cedo. Para ele, isso deve mudar a maneira como médicos enxergam a prevenção de infarto, AVC e doença cardíaca em pacientes sem aterosclerose importante conhecida.
Por que o LDL entra no centro da história
A doença cardíaca segue como a principal causa de morte no mundo. Um dos caminhos mais eficazes para reduzir esse risco é baixar o LDL-C, o chamado colesterol “ruim”.
O evolocumabe pertence à classe dos inibidores de PCSK9 e pode reduzir o LDL-C em cerca de 60%. Hoje, ele costuma ser usado junto com estatinas, que seguem como tratamento padrão. Já pessoas sem aterosclerose, mesmo quando têm alto risco, geralmente recebem apenas estatinas, quando recebem algum medicamento.
Ou seja, a aposta desse estudo foi testar se uma redução mais agressiva do colesterol poderia funcionar antes do problema ficar visível nas artérias.
Como o estudo foi feito
Os dados vieram de uma subanálise do ensaio clínico randomizado VESALIUS-CV, financiado pela empresa norte-americana Amgen Inc. Os pesquisadores acompanharam 3.655 pacientes com diabetes de alto risco e sem aterosclerose significativa.
Entravam nesse grupo pessoas com diabetes havia pelo menos 10 anos, que precisavam de insulina diária ou já tinham danos em pequenos vasos ligados à doença.
Os participantes receberam injeções de evolocumabe a cada duas semanas ou placebo. Todos continuaram com o tratamento padrão para colesterol, como estatinas e ezetimiba.
Queda forte no colesterol e menos eventos graves
Após 48 semanas, os pacientes tratados com evolocumabe tiveram redução muito maior no LDL-C. Assim, a mediana ficou cerca de 51% menor em comparação com o grupo placebo: 52 mg/dL contra 111 mg/dL.
No acompanhamento de quase cinco anos, o grupo que recebeu evolocumabe junto à terapia padrão apresentou risco 31% menor de ter o primeiro grande evento cardiovascular.
Na marca de cinco anos, 5% dos pacientes do grupo evolocumabe tiveram um evento. Por outro lado, no grupo placebo, a taxa foi de 7,1%.
O que ainda falta saber
Os efeitos adversos graves apareceram em taxas semelhantes nos dois grupos, o que indica boa tolerabilidade do tratamento nesse estudo.
Agora, os pesquisadores destacam a necessidade de novos trabalhos a fim de descobrir se esse benefício também aparece em outros grupos de alto risco que ainda não têm aterosclerose estabelecida. Se isso se confirmar, a prevenção cardiovascular pode começar mais cedo e com outra ambição: evitar o primeiro grande evento antes que ele dê qualquer aviso mais claro.
