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Usar eSIM em viagem internacional é obstáculo para 70% dos usuários

Empresa aposta em IA e automação para facilitar uso e planeja expandir serviços para além da conectividade.
Imagem: Unsplash

A empresa de eSIM para viagens Saily identificou um novo obstáculo no caminho da democratização da tecnologia. Não basta que os chips virtuais existam e estejam disponíveis, é preciso tornar o processo de uso simples o suficiente para quem nunca teve contato com ele. A conclusão vem de entrevista de Matas Čenys, diretor de produto da companhia ao TechRadar.

Menos de 30% da base de usuários da Saily já havia utilizado um eSIM de viagem antes de adotar o serviço, segundo dados da própria empresa. O número revela que a maior parte do público chega à tecnologia sem qualquer experiência prévia, o que torna o processo de instalação e configuração um ponto crítico de abandono.

Fricção no onboarding

O principal problema identificado pela Saily está na configuração manual ainda exigida pelo sistema operacional dos celulares. Para ativar uma linha de eSIM e começar a usar dados, o usuário precisa sair do aplicativo, acessar as configurações do aparelho e habilitar a linha manualmente. Essa etapa gera dúvidas sobre se a configuração foi feita corretamente e preocupações com cobranças indevidas de roaming.

Čenys afirmou que a equipe trabalha em automatizar o maior número possível de etapas e, onde a automação não é viável, guiar o usuário com informações em pequenos blocos, em vez de manuais extensos. “Temos que tornar os eSIMs o mais simples possível”, declarou o executivo. Com essa abordagem, a empresa afirma ter reduzido pela metade o tempo de configuração para os grupos de usuários que antes levavam mais tempo no processo.

A Saily também considera o uso de inteligência artificial para verificar automaticamente se as configurações do dispositivo do usuário estão corretas e sugerir ajustes. “Poderíamos usar IA para verificar suas configurações de eSIM e sugerir correções para garantir que você está conectado”, disse Čenys. A medida ainda está em avaliação.

Expansão além da conectividade

Para o restante de 2026, a companhia planeja transformar o aplicativo em um serviço mais amplo de viagem. Entre as adições previstas estão acesso a salas VIP em aeroportos, um bloqueador de anúncios que, segundo a empresa, pode economizar até 28,6% dos dados do usuário ao impedir downloads desnecessários, e um alterador de localização virtual semelhante a uma VPN. Números de telefone virtuais também estão no roadmap.

Čenys admitiu que a adoção de eSIMs ainda avança em ritmo menor do que o desejado. Nem todos os dispositivos Android oferecem suporte à tecnologia e há escassez de smartphones mais baratos com a funcionalidade. Na avaliação do executivo, os chips físicos ainda devem permanecer relevantes por algum tempo, mas com peso menor no mercado.

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