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Creatina não é só coisa de academia, diz novo estudo

Conhecida por melhorar força e desempenho físico, a creatina também desperta interesse por possíveis efeitos na memória, no humor e na saúde do cérebro.
Imagem: Unsplash

A creatina, suplemento popular entre atletas e frequentadores de academia, entrou em uma nova fase de interesse científico. Em uma revisão conduzida pelo pesquisador farmacêutico Mehdi Boroujerdi, publicado no CRC Press, o composto aparece como peça importante para músculos, cérebro e coração.

A molécula que ajuda a recarregar energia

O corpo produz creatina naturalmente no fígado, nos rins e no pâncreas. Para isso, usa aminoácidos como glicina, arginina e metionina.

Depois, a creatina viaja pelo sangue até tecidos que consomem muita energia. Cerca de 95% dela fica armazenada nos músculos esqueléticos. Pequenas quantidades também chegam ao cérebro, ao coração e a outros órgãos.

Dentro das células, a creatina vira fosfocreatina. Essa molécula ajuda a regenerar o ATP, principal combustível celular. Ou seja, ela funciona como uma tomada de emergência quando o corpo precisa responder rápido.

Esse mecanismo explica o interesse dos esportes. Em atividades curtas e intensas, como sprints ou séries pesadas, a creatina pode melhorar potência, desempenho e capacidade de treino.

Não é esteroide nem fórmula mágica

Apesar da fama nas academias, a creatina não age como anabolizante. Boroujerdi reforça essa diferença de forma direta.

“O papel da creatina no desenvolvimento muscular consiste apenas em fornecer energia para contração e respiração. Ela certamente não substitui esteroides”, afirma o pesquisador.

A forma mais estudada do suplemento recebe o nome de creatina monohidratada. Ela aumenta os níveis de creatina e fosfocreatina nos músculos, o que favorece a produção rápida de ATP.

Mas existe limite. O músculo armazena apenas certa quantidade. Doses maiores não entregam benefícios infinitos. O excesso sai do corpo como creatinina, pela urina.

O cérebro também entrou na conversa

A parte mais curiosa está fora da musculação. Estudos citados na revisão indicam possíveis benefícios para memória, humor e velocidade de processamento mental.

Esses efeitos podem aparecer com mais força em pessoas com níveis iniciais mais baixos de creatina. O grupo inclui idosos, vegetarianos e veganos, já que a alimentação sem carne costuma fornecer menos creatina.

Mulheres também podem apresentar respostas diferentes, por causa de diferenças em massa muscular e estoques naturais do composto.

Pesquisadores ainda investigam usos em Parkinson, depressão e perda de músculo e osso associada à menopausa. Por enquanto, os resultados parecem promissores, mas ainda exigem ensaios clínicos mais robustos.

Como a suplementação costuma funcionar

Um protocolo comum começa com 20 gramas por dia, divididos em quatro doses, durante 5 a 7 dias. Depois, a manutenção costuma ficar entre 3 e 5 gramas por dia.

Segundo Boroujerdi, doses menores de 3 a 5 gramas diárias também podem saturar os músculos, mas em cerca de 28 dias.

A absorção varia conforme estabilidade digestiva, capacidade de armazenamento muscular e biologia individual. Tomar creatina com carboidratos pode melhorar a captação, por estimular o transporte relacionado à insulina.

Potencial real, mas com cautela

A creatina figura entre os suplementos alimentares mais estudados. Para pessoas saudáveis, a ciência geralmente considera seu uso seguro.

Ainda assim, quem tem problema renal deve conversar com um profissional de saúde antes de usar. O suplemento não substitui treino, alimentação adequada nem tratamento médico.

“Por enquanto, a creatina deve ser vista como um suplemento com potencial significativo, mas não como uma panaceia”, diz Boroujerdi ao ScienceDaily.

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Hemerson Brandão

Hemerson Brandão

É editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo principalmente sobre ciência, tecnologia e cultura nerd e geek. Entusiasta da astronomia, acompanha temas ligados à exploração espacial e é fã de Star Trek.