Nova imagem revela o “coração” da Via Láctea
O ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) capturou uma imagem inédita do centro da Via-Láctea que mostra em detalhes uma rede de gás, poeira e estrelas. O “coração” da galáxia exibe densas nuvens de poeira e filamentos de gás molecular frio. Essas estruturas circundam o buraco negro supermassivo central da galáxia, o Sagittarius A*.
Vale lembrar que o gás molecular frio é a matéria básica da qual as estrelas se formam. Por isso, a descoberta representa um marco significativo na compreensão da dinâmica do núcleo galáctico.
A imagem faz parte do “Levantamento de Exploração da CMZ (sigla em inglês para Zona Molecular Central)” do ALMA. Trata-se da maior imagem já capturada por esse observatório. Ashley Barnes, astrônomo do Observatório Europeu do Sul (ESO) na Alemanha, descreveu a galáxia como um “lugar de extremos, invisível aos nossos olhos, mas agora revelado em detalhes extraordinários”. Veja:

Interesse científico na zona molecular central
Os astrônomos têm particular interesse na química da zona molecular central. A captura dessa imagem permite estudar processos fundamentais de formação estelar em um ambiente extremo.
Steve Longmore, astrofísico da Liverpool John Moores University na Inglaterra, afirmou: “Acreditamos que a região compartilha muitas características com galáxias no início do Universo, onde estrelas estavam se formando em ambientes caóticos e extremos”.
Isso porque estudar essa região da Via Láctea pode oferecer pistas sobre como galáxias como a nossa se formaram.
Área observada e estruturas identificadas
A imagem captura uma área de mais de 650 anos-luz de extensão na CMZ. Dentro dessa região existem estruturas de gás que se estendem por muitas dezenas de anos-luz. Além disso, há também nuvens menores que envolvem estrelas.
As observações foram realizadas usando o observatório localizado no Chile. A zona molecular central circunda o buraco negro supermassivo Sagittarius A*.
Os novos dados foram descritos em diversos artigos científicos publicados no servidor de pré-impressão arXiv.org (1, 2, 3, 4, 5). Além disso, os estudos foram aceitos para publicação na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.
