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2026 pode decidir se a IA pode treinar “de graça” com conteúdo alheio

Disputa legal entre empresas de tecnologia e detentores de direitos autorais entra em fase determinante após novos processos e acordo histórico em 2025
Imagem: Unsplash/Reprodução

Os tribunais americanos avaliam este ano se o uso de material protegido por direitos autorais para treinar sistemas de inteligência artificial constitui “uso justo” conforme a legislação dos Estados Unidos. A disputa legal entre empresas de tecnologia e detentores de direitos autorais entra agora em fase determinante. O momento decisivo ocorre após uma série de novos processos e um acordo histórico em 2025.

Companhias como OpenAI, Google, Meta e Anthropic utilizaram grandes volumes de conteúdo protegido para desenvolver seus sistemas de IA. Os materiais forma usados sem autorização ou compensação aos criadores originais.

Diante deste cenário, os detentores dos direitos alegam que esta prática viola suas propriedades intelectuais.

Acordos bilionários marcam evolução dos processos

O caso mais expressivo até o momento resultou em um acordo coletivo de US$ 1,5 bilhão entre um grupo de autores e a Anthropic, estabelecendo o maior pagamento por direitos autorais na história americana.

Além disso, a Disney investiu US$ 1 bilhão na OpenAI em dezembro passado e autorizou a startup a utilizar seus personagens no Sora, gerador de vídeos com IA. Por sua vez, a Warner Music resolveu suas disputas contra empresas de criação musical com IA e planeja lançar plataformas conjuntas ainda este ano.

Batalha judicial intensifica-se nos tribunais federais

As disputas judiciais concentram-se principalmente no Distrito Norte da Califórnia, onde muitas empresas de tecnologia mantêm suas sedes. O juiz William Alsup, de San Francisco, conduz alguns dos casos mais relevantes neste contexto.

De um lado estão gigantes da tecnologia como Google e Meta, e do outro, criadores de conteúdo, editoras e artistas. O New York Times e a Disney, por exemplo, estão entre os grandes detentores de direitos que moveram ações contra empresas de IA.

Os processos começaram a surgir em 2023 e se intensificaram em 2025. Agora, em janeiro de 2026, entram em fase crucial com audiências programadas para os próximos meses.

Próximos passos e argumentos em disputa

Para 2026, o calendário judicial inclui mais audiências envolvendo a Anthropic e editoras musicais, o Google e artistas visuais, além da Stability AI e um gerador de música por IA. As parcerias recém-formadas entre empresas de IA e detentores de direitos autorais também começarão a implementar seus projetos colaborativos.

Em uma das audiências, o juiz Alsup afirmou que o uso de obras protegidas para treinar IA pode ser considerado “essencialmente transformador”. Ele também destacou que a lei de direitos autorais “busca promover obras originais de autoria, não proteger os autores da concorrência”.

Representantes das empresas de tecnologia argumentaram que seus bancos de dados funcionam como uma “biblioteca central”, enquanto os detentores de direitos autorais expressaram preocupação de que a IA possa “inundar o mercado” com conteúdo derivado.

Um advogado defendeu que a tecnologia poderia beneficiar o processo de “treinar crianças em idade escolar para escrever bem”, embora reconhecesse que isso poderia ser problemático “em muitas circunstâncias”.

Permanece incerto como os tribunais interpretarão a doutrina de “uso justo” aplicada à IA generativa e quais precedentes serão estabelecidos para casos futuros semelhantes.

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