Brasil é segundo país em uso de Inteligência Artificial, aponta pesquisa
O Brasil ocupa a segunda posição mundial em uso de Inteligência Artificial Generativa, atrás apenas da Índia. A pesquisa global, conduzida pela Cisco em parceria com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), revelou que 51,6% dos brasileiros entrevistados utilizam ativamente essa tecnologia. A pesquisa ouviu mais de 14 mil pessoas ao longo de 2025.
A investigação foi desenvolvida pelo Hub de Bem-Estar Digital, iniciativa conjunta da Cisco com a OCDE, para analisar a relação entre riscos e benefícios da IA e seus impactos na vida das pessoas. Assim, os dados coletados mostram divisões geográficas e geracionais que determinam quem se beneficia da tecnologia e como a vida digital afeta o bem-estar.
Ao todo, mais de mil brasileiros participaram do estudo entre os 14 mil entrevistados globalmente. A amostra incluiu 14 países para abranger todos os continentes e refletir diversos contextos socioeconômicos e culturais, como Austrália, Canadá, França, Alemanha, Índia, Itália, Japão, Coreia, México, Holanda, África do Sul, Reino Unido e Estados Unidos.
Países emergentes lideram uso de IA
As economias emergentes como Brasil, Índia, México e África do Sul lideram a adoção global de IA generativa, contrariando padrões históricos em que esses países costumavam adotar novas tecnologias mais lentamente.
Em relação à confiabilidade da tecnologia, o Brasil também ocupa a segunda posição, com 34,4% dos consultados afirmando que a IA é totalmente confiável. O país fica atrás apenas da Índia, onde 36,6% dos entrevistados expressam total confiança na tecnologia. Entrevistados de países europeus demonstraram menos confiança e mais incerteza em relação ao uso da IA.
A pesquisa identificou uma clara divisão geracional no uso da IA. No mundo, 50% dos entrevistados com menos de 35 anos utiliza ativamente a Inteligência Artificial e mais de 75% a consideram útil. Quase metade dos jovens entre 26 e 35 anos já completou algum tipo de treinamento na área.
Aliás, adultos com mais de 45 anos tendem a ver a IA como menos útil, e mais da metade desse grupo não a utiliza. Entre os entrevistados com mais de 55 anos, a resposta “não sabem” sobre a confiança na IA pode refletir falta de familiaridade com a tecnologia.
Essa diferença se estende às expectativas sobre o impacto da IA no emprego. Isso porque pessoas abaixo de 35 anos e residentes de economias emergentes são as que mais antecipam esse impacto.
5 horas no celular
O estudo também revela que 47,8% dos brasileiros consultados passam mais de cinco horas diárias no celular. Porém, o elevado tempo de tela para fins recreativos, particularmente entre jovens em mercados emergentes, está associado a uma diminuição do bem-estar.
Por outro lado, no quesito capacitação, 41,4% dos brasileiros afirmaram ter realizado alguma qualificação relacionada à IA oferecida por suas empresas para desenvolvimento de novas habilidades tecnológicas nos últimos doze meses.
“Capacitar economias emergentes com habilidades de IA não é apenas sobre tecnologia, é sobre liberar o potencial de cada indivíduo para moldar seu futuro. Com a rápida integração da IA em nossas vidas e locais de trabalho, devemos garantir que essas ferramentas sejam projetadas de forma responsável, com transparência, justiça e privacidade em sua essência. O maior potencial da IA pode ser realizado se ela melhorar o bem-estar, simplificando tarefas, aprimorando a colaboração e criando oportunidades de crescimento e aprendizado. Assim, quando tecnologia, pessoas e propósito se unem, criamos as condições para comunidades resilientes, saudáveis e prósperas em todos os lugares”, afirma um dos responsáveis pelo estudo.
“As divisões geracionais na adoção digital e da IA não são inevitáveis, são desafios que todos podemos enfrentar por meio de ações direcionadas. Embora os mais jovens possam abraçar prontamente novas tecnologias, pessoas de todas as idades trazem sua própria experiência e insights únicos e inestimáveis”, afirma outro especialista envolvido na pesquisa.
Além disso, a nova pesquisa oferece percepções para o departamento Impacto Digital da Cisco, apoiando sua meta de conectar milhões de pessoas à economia digital. Isso inclui esforços para superar a divisão de acesso digital. Além de fomentar uma cultura de aprendizado por meio de iniciativas como o Cisco Networking Academy e o programa de aceleração digital.
