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Startup promete levar cinzas de 1.000 pessoas ao espaço por preço baixo

Empresa usará satélite miniaturizado acoplado a foguete da SpaceX para serviço funerário que ficará em órbita por cinco anos.
Imagem: Reprodução

A Space Beyond firmou acordo para lançar cinzas de até mil pessoas ao espaço utilizando um satélite miniaturizado que será acoplado a um foguete Falcon 9 da SpaceX. O lançamento está programado para outubro de 2027. A empresa norte-americana anunciou a parceria com a Arrow Science and Technology, oferecendo o serviço por valores a partir de US$ 249 (cerca de R$ 1.300), significativamente abaixo dos preços praticados por concorrentes do setor.

O projeto, denominado “Ashes to Space”, utilizará um cubesat (satélite em formato de cubo) que permanecerá em órbita por aproximadamente cinco anos. De acordo com o TechCrunch, após esse período, o satélite retornará à atmosfera terrestre, onde será completamente incinerado junto com as cinzas. Veja a foto do pequeno satélite:

Ryan Mitchell, fundador da Space Beyond, concebeu a ideia após participar de uma cerimônia de espalhamento de cinzas que considerou insatisfatória. “Quando acabou, ficamos tipo, ‘e agora?’ O momento tinha passado”, relatou Mitchell sobre a experiência. A inspiração veio durante um acampamento em um parque estadual dos EUA, enquanto observava o céu noturno e refletia sobre seu futuro profissional.

“Como eu poderia fazer isso melhor?”, questionou-se na ocasião.

Mitchell possui experiência relevante no setor espacial. Inclusive, tendo trabalhado no programa de ônibus espacial da NASA e passado aproximadamente dez anos na Blue Origin, empresa de Jeff Bezos. Assim, esse conhecimento foi crucial para viabilizar o projeto.

Órbita sincronizada

O cubesat será posicionado em uma “órbita sincronizada com o sol”, a aproximadamente 550 quilômetros de altitude. Esta configuração permitirá que o satélite circunde todo o planeta, possibilitando aos clientes acompanhar sua localização no céu noturno.

Enquanto empresas como a Celestis, que realiza serviços semelhantes desde os anos 1990, cobram milhares de dólares, a Space Beyond oferecerá um pacote básico mais barato. Cada cliente poderá enviar aproximadamente um grama de cinzas, limitação necessária para atender às restrições de peso impostas pelos provedores de lançamento e viabilizar financeiramente o projeto.

A empresa esclarece que os clientes precisarão realizar a cremação separadamente. Assim, após o lançamento, será possível acompanhar a localização do cubesat através de serviços modernos de rastreamento de espaçonaves, permitindo saber quando o satélite estará visível sobre suas residências.

Mitchell enfatizou que a empresa nunca espalhará fisicamente as cinzas no espaço. Ele descreveu tal cenário como “quase um pesadelo”, pois as partículas poderiam criar uma nuvem de detritos que representaria risco para outras espaçonaves. Como os clientes enviarão apenas cerca de um grama de cinzas, caberá a eles decidir o destino do restante das cinzas de seus entes queridos.

Funeral espacial acessível

A Space Beyond conseguiu estabelecer preços mais acessíveis devido ao modelo de compartilhamento de lançamento, que democratizou o acesso ao espaço. Além disso, é uma empresa autofinanciada, sem necessidade de gerar grandes retornos para investidores.

“Já me disseram que não estou cobrando o suficiente por este serviço”, afirmou Mitchell, especialmente considerando como a indústria funerária costuma cobrar valores elevados de pessoas em momentos de vulnerabilidade. “Mas não estou procurando dominar o mundo, e não estou procurando ganhar um bilhão de dólares fazendo isso.”

Porém, o fundador admitiu que inicialmente duvidou da viabilidade do projeto. “Tentei me convencer a desistir [dessa ideia] por muito tempo. Pensei que seria caro demais ou difícil demais”, explicou. Porém, sua percepção mudou com análises mais detalhadas. “Toda vez que apliquei rigor de engenharia, determinei os requisitos e o caso de negócio”, o projeto demonstrou ser viável.

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Hemerson Brandão

Hemerson Brandão

É editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.