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Após fim dos dinossauros, a vida evoluiu mais rápido do que se pensava

Estudo revela que foraminíferos evoluíram rapidamente após impacto do asteroide Chicxulub há 66 milhões de anos.
Imagem: Wikimedia Commons/Reprodução

Um estudo da Universidade do Texas, nos EUA, revelou que novas espécies de plâncton surgiram menos de 2 mil anos após o impacto do asteroide Chicxulub, que deu fim aos dinossauros. A pesquisa, publicada na revista Geology nesta quarta-feira (21), utilizou o isótopo Hélio-3 como marcador temporal para medir com precisão o período de recuperação da vida após o evento que extinguiu os dinossauros há 66 milhões de anos.

A equipe de cientistas analisou amostras de seis locais do limite Cretáceo-Paleogeno da Europa, Norte da África e Golfo do México. De acordo com o Phys, os pesquisadores identificaram entre 10 e 20 novas espécies de foraminíferos, um tipo de plâncton.

Uma micrografia eletrônica de varredura do foramíneo plântico Parvularugloglobigerina eugubina.

Método inovador de datação

O estudo liderado por Chris Lowery, professor associado de pesquisa no Instituto de Geociências da Universidade do Texas, utilizou dados previamente publicados sobre o Hélio-3 para obter medições mais precisas. Este isótopo se acumula em sedimentos oceânicos a uma taxa constante, permitindo calcular com maior exatidão a passagem do tempo.

“É ridiculamente rápido,” afirmou Lowery. “Esta pesquisa nos ajuda a entender quão rapidamente novas espécies podem evoluir após eventos extremos e também como o ambiente começou a se recuperar rapidamente após o impacto de Chicxulub.”

Recuperação mais rápida que o esperado

A reavaliação da cronologia foi possível porque os pesquisadores perceberam que as extinções em massa alteraram significativamente as taxas de sedimentação após o impacto. A morte da maioria dos plânctons calcários, que normalmente afundam no fundo do mar, combinada com o aumento da erosão terrestre devido à morte da vegetação, causou grandes mudanças na velocidade de acumulação de sedimentos.

Os cientistas descobriram que uma espécie específica de foraminífero, chamada Parvularugoglobigerina eugubina (P. eugubina), evoluiu entre 3.500 e 11 mil anos após o impacto, com o tempo exato variando entre os diferentes locais estudados. Algumas espécies surgiram em menos de 2 mil anos após o evento.

Impacto global e recuperação

O asteroide atingiu a região que hoje corresponde à Península de Yucatán, no México, formando a cratera de Chicxulub no Golfo do México. Embora o impacto tenha ocorrido nesta área específica, seus efeitos foram globais, resultando, por exemplo, em incêndios generalizados e mudanças climáticas devastadoras.

“A velocidade da recuperação demonstra o quão resiliente a vida é. Ter vida complexa restabelecida em um piscar de olhos geológico é verdadeiramente surpreendente,” disse Lowery. “Isso também é possivelmente tranquilizador para a resiliência das espécies modernas diante da ameaça de destruição de habitat antropogênica.”

Por fim, os pesquisadores continuarão investigando como a vida se recupera após eventos de extinção em massa. Isso porque pode fornecer insights sobre a resiliência dos ecossistemas atuais frente a mudanças ambientais. Além disso, o estudo contradiz teorias anteriores que estimavam dezenas de milhares de anos para o aparecimento de novas espécies após uma extinção em massa.

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Hemerson Brandão

Hemerson Brandão

É editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.