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OpenAI promete travar espionagem nos EUA

Empresa modifica contrato com Departamento de Defesa após pressão sobre concorrente Anthropic e ordem presidencial contra uso do sistema Claude.
Imagem: Pexels/Reprodução

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos e a OpenAI vão modificar os termos do acordo firmado entre as partes. O contrato passará a incluir cláusula explícita que proíbe o uso dos sistemas de inteligência artificial da empresa em vigilância em massa contra cidadãos norte-americanos. Sam Altman, CEO da OpenAI, divulgou a informação por meio de um memorando interno publicado na plataforma X.

O documento especifica que o sistema de IA não será intencionalmente utilizado para vigilância doméstica de cidadãos e nacionais dos EUA. A restrição está em conformidade com leis aplicáveis, incluindo a Quarta Emenda da Constituição dos Estados Unidos, a Lei de Segurança Nacional de 1947 e a Lei FISA de 1978. De acordo com o Engadget, a modificação contratual representa uma resposta direta às crescentes preocupações sobre o uso de tecnologias de inteligência artificial em operações governamentais sensíveis.

A limitação proíbe rastreamento, vigilância ou monitoramento deliberado de pessoas do país. A proibição inclui a aquisição ou uso de informações pessoais ou identificáveis comercialmente adquiridas.

Pressão sobre empresas de IA motivou mudança

A modificação do acordo ocorre após pressão governamental sobre empresas de inteligência artificial. O Departamento de Defesa e o secretário Pete Hegseth vinham pressionando a Anthropic, concorrente da OpenAI, para remover as proteções de seu sistema de IA Claude. O objetivo era permitir o uso da tecnologia para todos os propósitos considerados legais, incluindo, por exemplo, vigilância em massa e desenvolvimento de armas totalmente autônomas.

A Anthropic recusou-se a atender às demandas de Hegseth. Dessa forma, o presidente Trump ordenou que todas as agências governamentais dos EUA parassem de usar o Claude e quaisquer outros serviços da Anthropic. O Departamento de Defesa iniciou os primeiros passos para designar a Anthropic como um risco de cadeia de suprimentos. Essa classificação é tipicamente reservada para empresas chinesas consideradas como colaboradoras de seus governos.

A OpenAI anunciou a parceria com o Departamento de Defesa no último dia 27. A divulgação ocorreu logo após a ordem presidencial contra a Anthropic. Altman publicou o memorando interno posteriormente.

Aplicativo da Anthropic lidera downloads após polêmica

O aplicativo Claude da Anthropic alcançou a primeira posição na lista de aplicativos gratuitos mais baixados da App Store. A ferramenta superou tanto o ChatGPT quanto o Google Gemini. As desinstalações do ChatGPT aumentaram 295% em comparação com o dia anterior, segundo dados da Sensor Tower.

A Anthropic começou a trabalhar com o governo dos EUA em 2024. A empresa lançou uma ferramenta de importação de memória para facilitar a migração de usuários de chatbots de outras empresas para o Claude.

Declarações sobre o acordo

Altman declarou no memorando que as questões eram “super complexas e exigem comunicação clara”. O CEO explicou que a empresa estava “tentando desescalar as coisas e evitar um resultado muito pior”, mas que “pareceu oportunista” no final. Altman acrescentou que, se recebesse o que considerasse uma ordem inconstitucional, preferiria ir para a prisão a segui-la.

O CEO esclareceu em uma sessão de perguntas e respostas no X durante o fim de semana que não conhecia os detalhes do acordo da Anthropic. Além disso, ele afirmou que desconhecia como o contrato da concorrente diferia do acordo assinado pela OpenAI.

Altman disse ainda que, em suas conversas com autoridades americanas, reiterou que a Anthropic não deveria ser designada como risco de cadeia de suprimentos. Ele afirmou que esperava que o Departamento de Defesa oferecesse à empresa o mesmo acordo que a OpenAI aceitou. O CEO declarou que, se o acordo tivesse sido o mesmo, achava que a Anthropic deveria ter concordado com ele.

A Anthropic emitiu uma declaração afirmando que “nenhuma quantidade de intimidação ou punição” mudará sua “posição sobre vigilância doméstica em massa ou armas totalmente autônomas”.

Além disso, Altman afirmou no memorando que a agência confirmou que seus serviços não serão usados por agências de inteligência, incluindo a NSA, sem uma modificação em seu contrato.

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