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OMS declara emergência de saúde pública por surto de ebola no Congo

No total, já foram registrados 2.418 casos ligados ao surto, com 1.582 mortes confirmadas, sendo que 31% das vítimas são crianças.
Profissionais de saúde com trajes de proteção para iniciar seu turno em um centro de tratamento em Beni, na República Democrática do Congo. Foto: Jerome Delay (AP)

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou nesta semana que decidiu declarar o surto de Ebola na República Democrática do Congo como uma “emergência de saúde pública de preocupação internacional”, decisão que ocorre quase um ano após o início do surto e depois da infecção de milhares de pessoas.

A declaração foi feita após a quarta reunião de um painel de emergência de especialistas que citou novos desenvolvimentos do surto, o segundo maior já registrado, como motivo para emitir o pedido depois da Organização ter recusado anteriormente.

A decisão desta semana segue a notícia recente de que o vírus chegou à cidade de Goma por um padre infectado que morreu desde então. Cerca de 1.100 pessoas atravessam a fronteira de Goma para o país vizinho Ruanda por mês, segundo a OMS.

“É hora de o mundo perceber e redobrar nossos esforços. Precisamos trabalhar juntos em solidariedade com a RDC para acabar com este surto e construir um sistema de saúde melhor”, disse o Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, em um comunicado.

Até 15 de julho, havia 2.418 casos registrados ligados ao surto, com 1.582 mortes confirmadas. A porta-voz da UNICEF, Marixie Mercado, disse esta semana antes da reunião do comitê que “houve 750 infecções entre crianças. Isso representa 31% do total de casos, comparado com cerca de 20% em surtos anteriores”.

A OMS disse no mês passado que faltava financiamento essencial para seus esforços de resposta, tendo recebido apenas US$ 44 milhões dos US$ 98 milhões que precisa para continuar lutando contra a epidemia em sua escala atual.

Josie Golding, do instituto de pesquisa Wellcome Trust, do Reino Unido, disse ao New York Times que a declaração desta semana poderia “ajudar a aumentar o apoio internacional e liberar mais recursos – incluindo finanças, profissionais de saúde, logística aperfeiçoada, segurança e infraestrutura”.