Spotify e Deezer tentam conter a enxurrada de músicas com IA
Músicas criadas por inteligência artificial já ocupam uma parte relevante dos envios para plataformas de streaming. A Deezer afirma receber 75 mil faixas geradas por IA por dia. O avanço pressiona serviços como Deezer, Spotify, Apple Music, YouTube Music, Qobuz e Bandcamp a decidir como rotular, reduzir ou limitar esse conteúdo.
O que muda para quem ouve música
De acordo com o The Verge, o problema não está apenas na existência de faixas feitas por IA. O impacto aparece nas playlists, na divisão de royalties e na confiança do usuário.
Quando milhares de músicas artificiais entram no catálogo todos os dias, artistas humanos competem com conteúdo barato, repetitivo e produzido em massa. Para o ouvinte, isso pode deixar recomendações menos úteis.
A Deezer disse que 28% dos uploads eram totalmente gerados por IA em setembro de 2025. No fim daquele ano, o número passou de 50 mil faixas por dia, com 34% dos envios.
As plataformas não querem banir tudo
A Deezer adotou um sistema para detectar e rotular músicas feitas por IA. A empresa também impede que o algoritmo recomende esse conteúdo e retirou monetização de 85% dos streams.
Alexis Lanternier, CEO da Deezer, afirmou que a música gerada por IA “está longe de ser um fenômeno marginal”. Para ele, o setor precisa agir para proteger direitos de artistas e dar transparência aos fãs.
A Qobuz criou um sistema de detecção e publicou uma carta sobre IA. A empresa prometeu não usar IA em conteúdo editorial ou curadoria.
Apple Music e Spotify escolheram rotulagem voluntária. A Apple exige etiquetas de transparência nos metadados, mas deixa os provedores definirem o que conta como conteúdo de IA.
O Spotify tenta separar spam de criação
O Spotify lançou créditos de IA para indicar quando uma faixa usou tecnologia generativa. A empresa trabalha com o grupo DDEX em um padrão para informar se a IA participou da letra, dos vocais ou da base musical.
A plataforma também removeu mais de 75 milhões de faixas de spam em 12 meses. Sam Duboff, chefe global de marketing e políticas do Spotify for Artists, disse que detectores de terceiros ainda cometem avaliações erradas em quantidade relevante.
O público ainda rejeita a ideia
Pesquisas citadas no debate mostram resistência. Um estudo da Deezer com a Ipsos indica que 51% dos entrevistados acham que IA vai gerar mais música genérica e de baixa qualidade.
Outra pesquisa mostrou que 66% das pessoas nunca ouvem música de IA conscientemente. Entre os entrevistados, 52% rejeitariam até uma música de seu artista favorito se soubessem que ela teve ajuda de IA.
O próximo passo será o botão de filtro
Bandcamp proibiu músicas geradas totalmente ou em grande parte por IA. Mesmo assim, a plataforma depende de denúncias manuais para identificar violações.
A pressão agora deve crescer por um filtro simples para esconder música feita por IA. Segundo a pesquisa da Deezer com a Ipsos, 45% das pessoas querem essa opção nas plataformas.
