NASA corre para salvar telescópio antes que ele caia na Terra
A NASA prepara uma missão inédita para salvar o Observatório Neil Gehrels Swift, lançado em 2004 para estudar explosões cósmicas chamadas “surtos de raios gama”. O telescópio ainda funciona, mas perde altitude por causa do arrasto atmosférico e não tem motor próprio.
O que muda agora
A solução envolve a nave privada Link, criada pela empresa Katalyst Space Technologies, dos EUA. Ela deve ser lançada em junho a bordo de um foguete Pegasus, da Northrop Grumman.
A missão recebeu um contrato de US$ 30 milhões da NASA.
Se tudo funcionar, a Link encontrará o Swift em órbita baixa da Terra e elevará sua altitude. O plano pode transformar a forma como satélites científicos envelhecidos continuam úteis.
Por que o Swift está em risco
O Swift orbita a Terra desde 2004 e segue operacional. O problema está no ar rarefeito das camadas altas da atmosfera.
Mesmo em órbita, ainda existe arrasto. Esse atrito reduz a velocidade do satélite aos poucos e faz sua altitude cair.
O Swift não tem sistema de propulsão para corrigir a própria órbita. Sem ajuda, ele pode reentrar na atmosfera terrestre.
Modelos feitos no início de 2025 indicaram risco de reentrada no segundo semestre de 2026.
Primeiro, a NASA precisa saber onde ele estará
O desafio não envolve apenas capturar um telescópio em movimento. A NASA também precisa prever a posição do Swift no momento certo.
A atmosfera da Terra muda conforme a atividade solar. Quando o Sol fica mais ativo, a atmosfera se expande e aumenta o arrasto sobre satélites.
O ciclo solar mais recente atingiu pico em 2024. Esse período de clima espacial intenso acelerou a preocupação com a perda de altitude do Swift.
Michael Shoemaker, do Centro Goddard da NASA, afirmou que as previsões mudam com o tempo. Elas dependem do clima espacial, da altitude atual e da orientação do telescópio.
Como a equipe tenta ganhar tempo
De acordo com o Space.com, a equipe de dinâmica de voo passou a gerar previsões semanais da órbita do Swift. Esses cálculos usam dados das equipes de satélites, rastreamento da Força Espacial dos EUA e estudos de atividade solar.
As previsões ajudam a decidir quando pausar observações científicas. Elas também orientam manobras de atitude para reduzir o arrasto.
Esse modo de operação já diminuiu a queda orbital do observatório. A NASA espera manter o Swift acima de 300 quilômetros até o início de setembro.
Essa altitude funciona como limite crítico para dar à Link a melhor chance de sucesso.
Por que essa missão importa
A Link tentará fazer algo sem precedentes. Ela pode se tornar a primeira nave privada a capturar um satélite robótico operado pelo governo dos Estados Unidos.
O resultado interessa a toda a operação espacial moderna. Muitos satélites úteis não têm motor, combustível suficiente ou projeto pensado para manutenção.
Se a missão der certo, telescópios e satélites em órbita baixa podem ganhar uma nova rota de sobrevivência. Em vez de perder equipamentos caros, agências podem comprar tempo científico.
O Swift ainda observa explosões poderosas no Universo. Agora, sua própria órbita virou um teste prático para o futuro da manutenção espacial.
