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Por que agradecemos chatbots como se fossem pessoas?

Pesquisa mostra por que máquinas, chatbots e florestas podem despertar gratidão, confiança e vontade de proteção.
Imagem: Freepik

Um estudo publicado na revista Emotion sugere que pessoas sentem gratidão por máquinas, programas de IA e até fenômenos naturais quando enxergam intenção neles. A pesquisa reuniu mais de 2.000 participantes dos Estados Unidos e ajuda a explicar por que alguns usuários tratam tecnologia e natureza como parceiras.

O que muda para quem usa IA todos os dias

A descoberta importa porque a IA já entrou no trabalho, no celular, no atendimento ao cliente e na rotina doméstica. Quando um sistema parece útil, responsivo ou “bem-intencionado”, o usuário pode criar confiança emocional, não apenas confiança funcional.

Esse vínculo pode ajudar a explicar por que tanta gente agradece a chatbots, defende assistentes virtuais ou sente desconforto quando uma máquina “erra”. A tecnologia deixa de parecer ferramenta e passa a ocupar um espaço social.

Yen-Ping Chang, pesquisadora da Universidade da Tasmânia, na Austrália, afirmou que “a gratidão pode surgir quando vemos boas intenções pelo mundo, e não apenas quando sabemos quem ou o que nos beneficiou”.

O estudo testou computadores, IA e natureza

A pesquisa envolveu cinco experimentos online. Em alguns deles, os participantes leram textos que atribuíam características humanas a um tema. Outros leram descrições mais objetivas.

No experimento com computadores, um grupo leu que as “mentes dos computadores” ficavam mais inteligentes a cada dia. O texto também sugeria a possibilidade de computadores terem livre-arbítrio no futuro.

Outro grupo leu uma descrição técnica sobre processadores. Esse material dizia que computadores não têm consciência e são “vazios por dentro”.

Depois, todos escreveram sobre seus pensamentos e sentimentos em relação aos computadores. Quem leu a versão com traços humanos teve maior tendência a ver computadores como parceiros responsivos.

Gratidão também apareceu com florestas e correntes oceânicas

O mesmo padrão surgiu em testes com programas de IA, a Floresta Amazônica e a Corrente Kuroshio, no Pacífico. Essa corrente ajuda a manter climas mais amenos no Japão e em Taiwan.

Quando os participantes percebiam essas entidades como mais “vivas” ou intencionais, relatavam mais gratidão, confiança e vontade de proteção.

“Por meio da gratidão, humanos criam vínculos com não humanos como fazem entre si”, afirmou Chang ao Phys. “Parece que, quando as pessoas veem algo como vivo, elas passam a apreciá-lo de forma mais profunda”.

O efeito aumenta quando há benefício direto

Um dos experimentos usou um jogo com um programa de IA. Os participantes demonstraram mais gratidão quando a IA os deixava vencer com mais frequência.

Esse detalhe ajuda a aproximar o estudo da vida cotidiana. Um chatbot que economiza horas de trabalho, um assistente que organiza tarefas ou um aplicativo que resolve um problema pode parecer mais confiável quando entrega benefício pessoal.

O risco começa quando a utilidade vira apego. Chang alerta que empresas de tecnologia podem ampliar esse efeito ao dar nomes humanos a assistentes de IA, como Siri, Alexa ou Watson.

A fronteira entre vínculo útil e excesso emocional

O estudo não trata todo vínculo com tecnologia como problema. A pesquisadora afirma que programas de IA podem ser úteis, confiáveis em certas situações e usados de tempos em tempos.

A cautela está no investimento emocional. Atribuir intenção a uma floresta pode aumentar apoio à proteção ambiental. Fazer o mesmo com um chatbot pode abrir espaço para dependência afetiva, confiança exagerada ou relações assimétricas.

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Hemerson Brandão

Hemerson Brandão

É editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo principalmente sobre ciência, tecnologia e cultura nerd e geek. Entusiasta da astronomia, acompanha temas ligados à exploração espacial e é fã de Star Trek.