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Nova pílula para emagrecer supera semaglutida oral

Orforglipron reduziu Hemoglobina Glicada em até 1,91% e levou a emagrecimento de 6,1 kg a 8,2 kg em estudo de fase 3. Novo medicamento não exige restrições alimentares nem refrigeração, o que pode ampliar acesso ao tratamento.
Imagem: Unsplash

Uma nova pílula diária para perda de peso mostrou desempenho superior ao da principal versão oral da semaglutida em um grande ensaio clínico de fase 3. O medicamento, chamado orforglipron, reduziu os níveis de açúcar no sangue e promoveu maior emagrecimento do que o concorrente oral nas 52 semanas de acompanhamento.

Desenvolvido pela Eli Lilly, o orforglipron foi avaliado em 1.698 adultos com diabetes tipo 2 em seis países, segundo publicação do ScienceDaily. O estudo é relevante por comparar diretamente dois medicamentos orais da mesma classe e por sinalizar um possível rearranjo no mercado de medicamentos para obesidade e diabetes.

Como funciona o orforglipron

O orforglipron pertence a uma categoria chamada de drogas de pequena molécula. Trata-se de um composto químico sintético pequeno o suficiente para ser absorvido diretamente pela parede intestinal, onde age sobre os receptores do hormônio GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon), responsável por sinalizar saciedade ao cérebro, retardar a digestão e estimular a liberação de insulina.

A semaglutida oral, por comparação, é um medicamento peptídico cuja estrutura imita diretamente o hormônio GLP-1. Por isso, precisa ser ingerida em jejum, com intervalo de ao menos 30 minutos antes de qualquer alimento ou bebida. Sua biodisponibilidade é baixa, uma vez que apenas cerca de 1% do que é ingerido chega a ser absorvido e exercer efeito no organismo.

O orforglipron não impõe essas restrições alimentares. Também não exige refrigeração, o que representa vantagem logística relevante em relação às versões injetáveis da classe, como Ozempic e Wegovy, cujo transporte depende de cadeia de frio. Para países de baixa e média renda, onde essa infraestrutura é frequentemente precária, o diferencial pode ampliar o acesso ao tratamento. Além disso, como droga de pequena molécula, é mais barata e simples de fabricar do que medicamentos peptídicos como a semaglutida.

Resultados do ensaio clínico

O desfecho primário avaliado no estudo foi a redução da hemoglobina glicada (HbA1c), exame que reflete a média de glicemia nos últimos três meses e é o indicador padrão de controle do diabetes. O diagnóstico da doença é estabelecido quando o HbA1c atinge 6,5% ou mais.

A partir de uma média inicial de 8,3%, o orforglipron reduziu o HbA1c entre 1,71% e 1,91% após 52 semanas. A semaglutida oral reduziu o indicador em 1,47% no mesmo período. Os participantes que usaram orforglipron também emagreceram mais, entre 6,1 kg e 8,2 kg, contra 5,3 kg no grupo da semaglutida.

O ensaio confirmou que o orforglipron não apenas era equivalente à semaglutida oral, mas superior tanto no controle glicêmico quanto na perda de peso.

Efeitos adversos e descontinuação

A taxa de efeitos colaterais foi o principal ponto de atenção levantado pelo estudo. Cerca de 59% dos participantes que tomaram orforglipron relataram sintomas gastrointestinais, como náusea, vômitos, diarreia e constipação. No grupo da semaglutida oral, esse índice ficou entre 37% e 45%.

A maior incidência de efeitos adversos com o orforglipron está associada aos picos diários de concentração do medicamento no organismo. Por consequência, cerca de 10% dos participantes nesse grupo interromperam o tratamento. Entre os usuários de semaglutida oral, a taxa de abandono foi de 4% a 5%.

Ainda não foram realizados ensaios diretos entre o orforglipron e as versões injetáveis de GLP-1. A perda de peso observada no estudo, porém, é comparável à registrada anteriormente com injetáveis em pacientes com diabetes tipo 2. O medicamento ainda passa por testes em pessoas com obesidade sem diabetes.

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