Nova pílula para emagrecer supera semaglutida oral
Uma nova pílula diária para perda de peso mostrou desempenho superior ao da principal versão oral da semaglutida em um grande ensaio clínico de fase 3. O medicamento, chamado orforglipron, reduziu os níveis de açúcar no sangue e promoveu maior emagrecimento do que o concorrente oral nas 52 semanas de acompanhamento.
Desenvolvido pela Eli Lilly, o orforglipron foi avaliado em 1.698 adultos com diabetes tipo 2 em seis países, segundo publicação do ScienceDaily. O estudo é relevante por comparar diretamente dois medicamentos orais da mesma classe e por sinalizar um possível rearranjo no mercado de medicamentos para obesidade e diabetes.
Como funciona o orforglipron
O orforglipron pertence a uma categoria chamada de drogas de pequena molécula. Trata-se de um composto químico sintético pequeno o suficiente para ser absorvido diretamente pela parede intestinal, onde age sobre os receptores do hormônio GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon), responsável por sinalizar saciedade ao cérebro, retardar a digestão e estimular a liberação de insulina.
A semaglutida oral, por comparação, é um medicamento peptídico cuja estrutura imita diretamente o hormônio GLP-1. Por isso, precisa ser ingerida em jejum, com intervalo de ao menos 30 minutos antes de qualquer alimento ou bebida. Sua biodisponibilidade é baixa, uma vez que apenas cerca de 1% do que é ingerido chega a ser absorvido e exercer efeito no organismo.
O orforglipron não impõe essas restrições alimentares. Também não exige refrigeração, o que representa vantagem logística relevante em relação às versões injetáveis da classe, como Ozempic e Wegovy, cujo transporte depende de cadeia de frio. Para países de baixa e média renda, onde essa infraestrutura é frequentemente precária, o diferencial pode ampliar o acesso ao tratamento. Além disso, como droga de pequena molécula, é mais barata e simples de fabricar do que medicamentos peptídicos como a semaglutida.
Resultados do ensaio clínico
O desfecho primário avaliado no estudo foi a redução da hemoglobina glicada (HbA1c), exame que reflete a média de glicemia nos últimos três meses e é o indicador padrão de controle do diabetes. O diagnóstico da doença é estabelecido quando o HbA1c atinge 6,5% ou mais.
A partir de uma média inicial de 8,3%, o orforglipron reduziu o HbA1c entre 1,71% e 1,91% após 52 semanas. A semaglutida oral reduziu o indicador em 1,47% no mesmo período. Os participantes que usaram orforglipron também emagreceram mais, entre 6,1 kg e 8,2 kg, contra 5,3 kg no grupo da semaglutida.
O ensaio confirmou que o orforglipron não apenas era equivalente à semaglutida oral, mas superior tanto no controle glicêmico quanto na perda de peso.
Efeitos adversos e descontinuação
A taxa de efeitos colaterais foi o principal ponto de atenção levantado pelo estudo. Cerca de 59% dos participantes que tomaram orforglipron relataram sintomas gastrointestinais, como náusea, vômitos, diarreia e constipação. No grupo da semaglutida oral, esse índice ficou entre 37% e 45%.
A maior incidência de efeitos adversos com o orforglipron está associada aos picos diários de concentração do medicamento no organismo. Por consequência, cerca de 10% dos participantes nesse grupo interromperam o tratamento. Entre os usuários de semaglutida oral, a taxa de abandono foi de 4% a 5%.
Ainda não foram realizados ensaios diretos entre o orforglipron e as versões injetáveis de GLP-1. A perda de peso observada no estudo, porém, é comparável à registrada anteriormente com injetáveis em pacientes com diabetes tipo 2. O medicamento ainda passa por testes em pessoas com obesidade sem diabetes.
