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Meta demite enquanto acelera aposta bilionária em IA

Meta demite centenas em várias áreas, reduz foco no metaverso e reforça investimentos de até US$ 135 bilhões em inteligência artificial.
Imagem: Wikimedia Commos/Reprodução

A Meta iniciou uma nova rodada de demissões que atinge centenas de funcionários em diferentes partes da empresa, incluindo Reality Labs, recrutamento, redes sociais e vendas. O movimento acontece enquanto a companhia amplia sua aposta em inteligência artificial e pode gastar até US$ 135 bilhões na expansão de data centers. Na prática, a dona de Facebook, Instagram e WhatsApp dá mais um sinal de que seu futuro imediato passa menos pelo metaverso e mais pela corrida da IA.

Cortes atingem áreas centrais da empresa

As demissões alcançam equipes bastante diferentes entre si. Entram na lista os times de recrutamento, redes sociais, vendas e também a Reality Labs, divisão responsável por produtos como óculos inteligentes e headsets de realidade virtual.

Tracy Clayton, porta-voz da Meta, afirmou que a empresa faz reestruturações e mudanças com frequência para colocar as equipes em melhor posição para atingir seus objetivos. Ela também disse que, quando possível, a companhia busca outras oportunidades internas para trabalhadores afetados.

A Meta não informou quantos cargos perderam espaço nesta rodada. Em dezembro de 2025, a empresa tinha quase 79 mil funcionários.

IA ganha espaço enquanto o metaverso perde força

De acordo com The Verge, o corte de pessoal surge num momento em que a empresa se afasta, aos poucos, do projeto que ajudou a redefinir sua imagem pública nos últimos anos. O próprio nome Meta carregava a promessa de um futuro centrado no metaverso. Agora, o foco parece migrar para uma infraestrutura pesada de inteligência artificial.

O investimento previsto de até US$ 135 bilhões ajuda a medir o tamanho dessa prioridade. Data centers funcionam como o coração físico da IA, porque abrigam os chips e os sistemas que treinam e operam modelos em grande escala. Ou seja, é como trocar a vitrine futurista dos mundos virtuais pela sala de máquinas que sustenta a próxima geração de produtos digitais.

A empresa também fechou um acordo para usar o primeiro processador de Arm em seus data centers, reforçando essa mudança de direção.

Reality Labs volta ao centro da crise

A Reality Labs já enfrentava um período de forte pressão. Em janeiro, a Meta demitiu pelo menos 1 mil trabalhadores dessa divisão, fechou três estúdios de realidade virtual, encerrou sua plataforma de metaverso voltada ao trabalho e interrompeu novos conteúdos para o aplicativo fitness Supernatural no ambiente de VR.

Em fevereiro, a empresa ainda disse que desligaria a versão em realidade virtual da plataforma social Horizon Worlds. Semanas depois, voltou atrás e informou que ela seguiria disponível para download “num futuro previsível”.

O que essa guinada indica

O novo corte mostra que a Meta reorganiza suas apostas com mais agressividade. A empresa ainda mantém produtos ligados à realidade virtual e aos óculos inteligentes, mas o centro de gravidade mudou. O dinheiro, a infraestrutura e a narrativa agora apontam para a inteligência artificial.

Para o público, isso importa porque decisões assim costumam moldar os produtos que chegam ao mercado, os serviços que recebem atenção e o tipo de tecnologia que dominará os próximos anos. Quando uma gigante como a Meta corta centenas de vagas e redireciona bilhões, ela não só ajusta o próprio rumo. Ela também ajuda a redesenhar o mapa da indústria.

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Hemerson Brandão

Hemerson Brandão

É editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.