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Carne bovina piora a glicose? Veja o que diz a ciência

Ensaio clínico comparou carne bovina e frango por 28 dias. Confira os resultados!
Imagem: Unsplash

Comer carne bovina todos os dias, dentro de uma dieta saudável, não piorou marcadores de glicose, insulina ou inflamação em adultos com pré-diabetes. O resultado, publicado no Current Developments in Nutrition, veio de um ensaio clínico randomizado com 24 participantes, acompanhados em ciclos de 28 dias.

O que muda para quem tem medo da carne bovina

A carne bovina costuma entrar no centro de debates sobre saúde metabólica. Para quem tem pré-diabetes, a dúvida mais prática é se ela piora o controle do açúcar no sangue?

Neste estudo, a resposta foi mais cautelosa do que alarmista. Adultos que comeram cerca de 170 a 198 gramas de carne bovina por dia não apresentaram piora nos principais indicadores ligados ao diabetes tipo 2.

Os resultados ficaram parecidos com os de uma dieta com frango. Isso não significa liberação geral para qualquer corte, porção ou preparo. O achado vale para carne bovina não processada, dentro de um padrão alimentar saudável.

Como o teste foi feito

O ensaio clínico acompanhou 24 adultos com sobrepeso ou obesidade e pré-diabetes. O grupo tinha 17 homens e 7 mulheres, com idades entre 18 e 74 anos.

Todos os participantes seguiram os dois planos alimentares. Esse formato recebe o nome de estudo cruzado. Na prática, cada pessoa funciona como sua própria comparação.

O teste teve dois períodos de dieta, cada um com 28 dias. Entre eles, os pesquisadores aplicaram uma pausa de 28 dias.

Durante cada fase, os participantes comeram duas refeições diárias com carne bovina cozida ou frango. Cada prato tinha cerca de 85 a 99 gramas de carne.

As refeições incluíram preparações como fajitas, hambúrgueres, ensopados, burritos e stir fry. O tipo exato dos cortes usados não foi informado.

O que os pesquisadores mediram

O diabetes tipo 2 costuma avançar aos poucos. O corpo começa a responder pior à insulina, enquanto as células beta do pâncreas perdem eficiência.

Essas células produzem insulina, o hormônio que ajuda a controlar a glicose no sangue. Por isso, a pesquisa mediu função das células beta, sensibilidade à insulina e hormônios ligados à regulação da glicose.

Depois de 28 dias, os pesquisadores não encontraram diferenças estatisticamente significativas entre carne bovina e frango nesses marcadores.

Também não houve piora em inflamação ou em outros indicadores cardiometabólicos avaliados.

O que esse resultado não permite concluir

O estudo tem uma mensagem útil, mas limitada. Ele avaliou apenas 24 pessoas e durou um mês em cada fase alimentar.

Indika Edirisinghe, professor de ciência dos alimentos e nutrição, afirmou ao Science Daily que o prazo foi relativamente curto. Mesmo assim, ele considera esse período suficiente para detectar desfechos metabólicos mensuráveis.

Kevin C. Maki, autor sênior do artigo, disse que os dados reforçam a ideia de que a carne bovina pode fazer parte de um padrão alimentar saudável. Segundo ele, nesse contexto, ela não piorou o perfil de risco cardiometabólico em comparação ao frango.

Para o leitor, o recado é que o risco não depende apenas de “carne bovina ou frango”. Importam porção, frequência, preparo, qualidade da dieta e orientação profissional.

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Hemerson Brandão

Hemerson Brandão

É editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.