O horário de verão faz mal para a saúde?
Pesquisadores dos Estados Unidos afirmam que a mudança de 1 hora do horário de verão pode afetar sono, humor, atenção e estabilidade psiquiátrica. O estudo, publicado na revista Brain Sciences, analisou mais de 60 pesquisas e alerta para riscos maiores em pessoas com transtornos mentais crônicos.
O problema não está só em dormir menos
A troca semestral do relógio costuma entrar na rotina como incômodo passageiro. A análise trata o fenômeno como um estressor circadiano em escala populacional.
O ritmo circadiano funciona como o sistema interno que organiza sono, energia, atenção e regulação emocional ao longo do dia. Quando o relógio social muda de uma noite para outra, o cérebro não acompanha esse ajuste no mesmo ritmo.
Ao MedicalXpress, Elizabeth England-Kennedy, professora assistente de saúde pública na Universidade do Estado do Novo México, nos EUA, afirma que já existem evidências de prejuízo. “Agora temos evidências de que as mudanças do horário de verão desregulam ritmos circadianos de formas prejudiciais para pessoas com dificuldades de saúde mental e sono.”
Quem pode sentir mais impacto
A equipe aponta risco ampliado para pessoas com depressão, transtorno bipolar, ansiedade, TEPT, TDAH e transtornos psicóticos. O período mais delicado envolve os dias e semanas após a alteração do relógio.
A questão não envolve apenas cansaço. O estudo associa a mudança a impactos em sono, controle emocional, cognição e estabilidade psiquiátrica.
Kavita Batra, uma das autoras líderes do estudo, afirma: “mudamos os relógios em uma única noite, mas o cérebro não se ajusta tão rápido.”
O que médicos podem fazer antes da mudança
Os autores defendem que profissionais de saúde tratem as transições de horário como janelas previsíveis de risco. Isso permitiria orientar pacientes antes da mudança, principalmente os de maior vulnerabilidade.
A recomendação inclui ajustar gradualmente o horário de sono alguns dias antes da troca. O estudo também cita exposição à luz forte pela manhã para ajudar o organismo a realinhar o relógio biológico.
O grupo ainda sugere mais check-ins com pacientes de alto risco nas semanas próximas à transição. A lógica é, se o risco tem data marcada, o cuidado também pode ter.
Por que o horário padrão ganha força
Os autores defendem horário padrão permanente, e não horário de verão permanente. A justificativa envolve maior alinhamento com a luz natural da manhã e com a biologia circadiana humana.
Jagdish Khubchandani, também autor líder, afirma que mais de 100 países já adotaram horário de verão em algum momento. Hoje, apenas cerca de um terço do mundo segue esse ritual.
Para ele, o custo pode superar o benefício. O pesquisador cita perdas de milhões de dólares ligadas a acidentes de trabalho, acidentes de trânsito e problemas de saúde, como infartos e AVCs.
