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Planta curiosa está fazendo cientistas repensarem a evolução das flores

Estudo mostra que planta desenvolveu novas características florais antes de migrar para habitats diferentes, contrariando teoria estabelecida.
Imagem: Jing-Yi Lu/Reprodução

Uma espécie de trepadeira tropical, conhecida como trepadeira-batom, desenvolveu características florais diferentes antes de migrar para novos habitats, contrariando um modelo evolutivo utilizado por botânicos há mais de cinco décadas. Pesquisadores do Field Museum de Chicago, nos EUA, fizeram a descoberta e publicaram o estudo no New Phytologist.

O estudo sobre a planta Aeschynanthus acuminatus, da família das trepadeiras-batom, desafia o modelo Grant-Stebbins, que afirma que as plantas geralmente evoluem para novas espécies após migrarem para regiões com diferentes tipos de polinizadores. De acordo com o Popular Science, esta descoberta representa uma significativa reviravolta no entendimento dos processos evolutivos em plantas tropicais.

Além disso, a pesquisa demonstrou que a A. acuminatus de Taiwan descendeu de plantas da mesma espécie do continente asiático. Isso significa que a evolução das flores mais curtas, largas e de coloração verde-amarelada aconteceu primeiro em uma região onde havia abundância de pássaros beija-flores de bico longo, os polinizadores típicos das trepadeiras-batom tradicionais.

Trepadeiras-batom

A maioria das trepadeiras-batom possui flores tubulares vermelhas e vibrantes, encontradas em toda a Ásia. Seu néctar atrai principalmente pássaros de bico longo, que ajudam a espalhar o pólen. Porém, em Taiwan, a espécie A. acuminatus apresenta flores muito mais curtas, largas e com coloração verde-amarelada.

“Foi realmente emocionante obter esses resultados, porque eles não seguem as ideias clássicas de como teríamos imaginado que as espécies evoluíram”, explicou Jing-Yi Lu, botânico e coautor do estudo.

Esta diferença morfológica torna a planta mais adequada para os pássaros de bico curto encontrados em Taiwan, onde não existem beija-flores. Porém, essas trepadeiras-batom verde-amareladas também existem no continente asiático, o que levou os pesquisadores a questionarem onde a planta evoluiu primeiro.

“Comparada ao resto do seu gênero, esta espécie tem flores estranhas e únicas”, disse Lu sobre a A. acuminatus.

Assim, para responder a essa questão, os cientistas coletaram amostras de DNA das trepadeiras-batom e montaram árvores genealógicas das espécies. Os dados genéticos demonstraram claramente que a evolução das flores diferenciadas ocorreu primeiro no continente, onde havia abundância de beija-flores, e não na ilha de Taiwan, como seria esperado pelo modelo Grant-Stebbins.

“Os padrões de ramificação nas árvores genealógicas que fizemos revelaram que as plantas A. acuminatus em Taiwan descenderam de outras plantas A. acuminatus do continente”, disse Ree.

Contradição evolutiva

A equipe de pesquisa formulou uma hipótese a fim de explicar essa contradição ao modelo evolutivo tradicional. Assim, eles sugerem que, em algum momento do passado, os beija-flores deixaram de ser polinizadores ideais para algumas das plantas no continente.

“No centro do nosso estudo está a questão de onde as espécies se originam”, afirmou Rick Ree, coautor do estudo e curador do Centro de Pesquisa Integrativa Negaunee do Field Museum. “Deve ter havido uma mudança quando esta espécie evoluiu, quando passou de ter flores estreitas para beija-flores para flores mais largas para aves mais generalistas. Onde e quando ocorreu essa mudança?”

“Nossa hipótese é que, em algum momento do passado, os beija-flores deixaram de ser polinizadores ótimos. Ou mesmo suficientes para algumas das plantas no continente”, explicou Ree. “Deve ter havido circunstâncias sob as quais a seleção natural favoreceu essa transição para aves passeriformes generalistas com bicos mais curtos como polinizadores.”

Ainda não se sabe exatamente quais fatores ambientais ou ecológicos específicos levaram a essa mudança evolutiva inesperada. Isso abre caminho para futuras investigações nessa área.

Os pesquisadores enfatizam que essas conclusões só foram possíveis graças ao trabalho de campo realizado pelos botânicos.

“Este estudo mostra a importância da história natural, de realmente sair para a natureza e observar interações ecológicas”, disse ele. “Requer muito esforço humano que não pode ser replicado por IA. Não pode ser acelerado por computadores, não há substituto para sair a campo como Jing-Yi fez…”

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