Carros voadores nem decolaram e já entraram em guerra nos tribunais
A corrida pelos carros e táxis aéreos elétricos entrou em uma fase menos futurista e mais jurídica. As empresas norte-americanas Joby Aviation e Archer Aviation, além da britânica Vertical Aerospace disputam acusações sobre espionagem, patentes, tecnologia e vínculos com a China, enquanto tentam lançar serviços comerciais nos próximos anos.
O que muda para quem espera voar pela cidade
Os eVTOLs são aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical. A promessa é transportar passageiros por rotas urbanas com menos ruído e sem a poluição de carbono de um helicóptero convencional.
Esse mercado ainda depende de certificação, produção em escala e confiança pública. As ações judiciais criam mais pressão sobre empresas que já enfrentam prazos longos, custos altos e investidores desconfiados.
Se processos consumirem dinheiro, atenção executiva e energia técnica, a chegada dos táxis aéreos pode ficar cada vez mais distante.
Joby e Archer disputam a liderança
Joby e Archer, por exemplo, ficam a cerca de uma hora uma da outra na região da baía de São Francisco. As duas querem liderar o mercado dos EUA de transporte aéreo urbano.
Em novembro de 2025, a Joby acusou a Archer de espionagem corporativa. A empresa citou um ex-funcionário que saiu da Joby para trabalhar na rival.
A Joby afirma que esse funcionário levou informações técnicas e comunicações com stakeholders. A acusação sustenta que a Archer usou esse material.
Archer respondeu com acusações sobre a China
Em março de 2026, a Archer respondeu com uma acusação diferente. A empresa afirmou que a Joby teria fraudado o governo dos Estados Unidos ao classificar componentes vindos da China de forma incorreta.
Segundo a Archer, peças de aeronaves chinesas teriam recebido classificação de bens de consumo, como “presilhas de cabelo” e “meias”.
Um mês depois, a Comissão de Comércio Internacional abriu uma investigação sobre vínculos da Joby com a China. A apuração examina possível violação tarifária ou de patentes.
A investigação segue em andamento e pode atrasar o plano da Joby de lançar serviço de táxi aéreo até 2028.
Archer também processa a Vertical
A Archer também acionou a Vertical Aerospace, com sede na Inglaterra, em fevereiro de 2026. A empresa acusa a rival de copiar o design do Midnight no modelo Valo.
As duas aeronaves levam quatro passageiros, usam motores elétricos e hélices basculantes. Ambas fazem decolagem e pouso vertical.
Os dois modelos prometem velocidade de cruzeiro de 240 km por hora e alcance máximo de 160 km.
Ao The Verge, Eric Lentell, diretor jurídico e de estratégia da Archer, disse que o Valo imita recursos de design do Midnight. Justin Bates, porta-voz da Vertical, chamou as acusações de “sem mérito” e de “distração” diante dos desafios comerciais da Archer.
Certificação ainda trava o mercado
Nenhuma empresa de táxi aéreo concluiu a certificação da FAA, a agência regulatória dos EUA, para transportar passageiros comercialmente.
A Joby concluiu as quatro etapas do processo de certificação. A empresa produz cerca de uma aeronave por mês e prepara uma versão de produção para avaliação da FAA.
Em abril de 2026, a Joby demonstrou um voo entre o aeroporto JFK e Lower Manhattan, nos EUA. A empresa planeja iniciar serviço em Dubai ainda em 2026.
A Archer concluiu três das quatro etapas de certificação. A empresa afirma que terá passageiros a tempo dos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028.
Investidor já sente a turbulência
As ações refletem a incerteza. No momento da publicação, a Joby perdeu quase 35% de valor desde o começo do ano. A Archer caiu quase 33%.
O setor vende uma ideia forte de voos curtos, elétricos e urbanos. Porém, o problema é que a indústria precisa provar segurança, viabilidade financeira e maturidade jurídica antes de convencer o passageiro.
