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Dois terços admitem burlar regras de IA no trabalho

Pesquisa mostra que funcionários usam IA escondida, inserem dados internos em ferramentas públicas e ampliam riscos para empresas.
Imagem: Unsplash

Dois em cada três profissionais de escritório admitem usar ferramentas de IA no trabalho, mesmo quando acreditam que a empresa proíbe esse uso. O levantamento realizado na Austrália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos mostra um risco direto para dados internos, clientes e estratégias de negócio.

A IA proibida virou rotina no escritório

A pesquisa indica que 66% dos profissionais já usaram ferramentas de IA para tarefas de trabalho, apesar de entenderem que elas não tinham permissão interna.

O número cresce em empresas com pelo menos 1.500 funcionários. Nesses ambientes, 72% admitiram usar IA mesmo achando que a política corporativa vetava a prática.

Nas empresas menores, o índice chegou a 60%. O dado mostra que o problema não depende apenas do tamanho da organização.

De acordo com TechRadar, a adoção escondida surge porque muitos trabalhadores enxergam a IA como atalho para tarefas chatas, repetitivas ou mal resolvidas pelos sistemas internos.

Funcionários escondem o uso dos gestores

Entre os profissionais que usam IA no trabalho, um terço afirmou que evitaria contar isso a gerentes ou supervisores.

Em empresas maiores, esse comportamento aparece com mais força. Parte dos funcionários percebe que executivos recebem tratamento diferente em decisões e regras ligadas à IA.

A confiança individual também pesa. Ao todo, 72% dos trabalhadores acreditam entender melhor o uso da IA em suas funções do que as equipes responsáveis pela governança.

Em empresas de US$ 1 bilhão ou mais, esse índice sobe para 80%. Líderes seniores também demonstraram mais confiança nesse julgamento próprio do que gerentes em posições inferiores.

O problema começa quando dados entram em IAs públicas

O uso escondido não fica restrito a rascunhos ou resumos simples. Entre os entrevistados, 43% admitiram inserir emails ou dados de trabalho em sistemas públicos de IA.

Mais de um terço afirmou ter colocado informações de clientes nessas plataformas. Outros 31% disseram ter enviado dados financeiros, documentos confidenciais ou estratégias internas.

Ou seja, a questão deixa de ser apenas produtividade e vira segurança da informação.

Ferramentas públicas funcionam fora do ambiente controlado da empresa. Quando um funcionário cola dados ali, a companhia perde parte da visibilidade sobre o destino dessas informações.

A gambiarra digital também passa pelo celular pessoal

A pesquisa também mostrou que 44% usaram IA para contornar limitações de softwares aprovados pela empresa.

Outros 38% compartilharam trabalhos feitos com ajuda de IA sem revelar esse uso. Parte dos funcionários recorreu a dispositivos pessoais para não deixar rastros nos sistemas corporativos.

Entre os profissionais flagrados violando políticas de IA, mais da metade recebeu orientação informal. Já 48% enfrentaram ação disciplinar formal.

O que empresas e funcionários devem fazer agora

A proibição pura tende a falhar quando a ferramenta resolve uma dor real do trabalho. O caminho mais prático envolve regras claras, ferramentas aprovadas e treinamento direto.

Funcionários também precisam tratar IA pública como ambiente externo. Email interno, dado de cliente, documento financeiro e estratégia corporativa não devem entrar nesses sistemas sem autorização.

A IA já entrou no escritório. Por isso, o desafio agora é tirar esse uso da sombra antes que a produtividade vire vazamento.

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Hemerson Brandão

Hemerson Brandão

É editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo principalmente sobre ciência, tecnologia e cultura nerd e geek. Entusiasta da astronomia, acompanha temas ligados à exploração espacial e é fã de Star Trek.