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Por que a Artemis II não vai pousar na Lua?

Artemis 2 vai levar astronautas à Lua sem pouso para testar a Orion e preparar futuras missões lunares da NASA.
Imagem: NASA

A missão Artemis 2 leva quatro astronautas para um voo de 10 dias ao redor da Lua, mas sem tentativa de pouso. A escolha faz parte da estratégia da NASA para testar a cápsula Orion com tripulação no espaço profundo antes de assumir o risco de uma descida lunar. O plano, hoje, reserva o retorno de humanos à superfície para a Artemis 4, prevista para 2028.

A tripulação reúne os astronautas da NASA Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, além do canadense Jeremy Hansen. O grupo marca a volta de humanos à vizinhança da Lua pela primeira vez desde a Apollo 17, em 1972.

Por que a Artemis 2 não vai pousar

O motivo mais direto é simples: a missão não foi construída para isso. A nave Orion, que leva os astronautas, não tem capacidade de pouso. Ela funciona como o veículo que transporta a tripulação até os arredores da Lua e de volta à Terra, mas não como o “elevador” que desce até o solo.

A NASA adotou uma abordagem em etapas. Primeiro, a Artemis 1 enviou uma Orion sem tripulação à Lua e de volta, no fim de 2022. Agora, a Artemis 2 repete parte desse caminho, mas com pessoas a bordo e sistemas de suporte à vida em operação.

O objetivo é verificar se tudo funciona como planejado no ambiente real do espaço profundo. Na prática, é como testar um avião em rota longa com passageiros antes de inaugurar um trajeto ainda mais complexo.

O que atrasou o pouso lunar

O cronograma do programa Artemis mudou várias vezes. Em um primeiro momento, a meta era pousar na Lua até 2024. Esse prazo perdeu força com o avanço de problemas técnicos e de calendário.

Um dos entraves envolve o sistema de pouso humano. A SpaceX recebeu, em abril de 2021, um contrato de US$ 2,9 bilhões para usar a Starship em uma futura missão lunar. Depois, a Blue Origin ganhou outro contrato, em maio de 2023, no valor de US$ 3,4 bilhões, para atuar em missões seguintes.

Só que esses veículos ainda precisam provar que conseguem cumprir etapas críticas. Entre elas estão demonstrações técnicas e operações complexas, como transferência de propelente em órbita e pouso lunar sem tripulação.

Outro desafio está na própria Orion

A cápsula Orion também enfrenta questões importantes. Após a Artemis 1, a NASA identificou desgaste acima do esperado no escudo térmico durante a reentrada. Em maio de 2024, um relatório do órgão de inspeção da agência apontou anomalias no escudo térmico, nos parafusos de separação e na distribuição de energia.

Em dezembro de 2024, a NASA adiou os lançamentos-alvo da Artemis 2 e da Artemis 3 para ganhar tempo na investigação. A agência decidiu manter o escudo térmico, mas com uma trajetória de reentrada diferente para preservar a segurança da tripulação.

O que vem depois da Artemis 2

Pelo plano atual, a Artemis 3 deve voar em 2027 e a Artemis 4, em 2028. Se tudo correr bem, será essa quarta missão a colocar botas humanas na Lua.

Ou seja, a Artemis 2 importa justamente porque não tenta fazer tudo de uma vez. Ela funciona como a etapa que precisa dar certo para que o pouso lunar volte a ser possível com segurança.

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Hemerson Brandão

Hemerson Brandão

É editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.