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Lua guarda pedaços da atmosfera da Terra, dizem astrônomos

Estudo revela que partículas da atmosfera terrestre se acumulam na Lua há bilhões de anos
Imagem: JAXA/Reprodução

Cientistas da Universidade de Rochester, nos EUA, identificaram que partículas da atmosfera da Terra têm se acumulado no solo lunar por bilhões de anos. A descoberta foi publicada na quinta-feira (11) na revista Communications Earth & Environment. O estudo mostra que o campo magnético terrestre, em vez de bloquear, auxilia na transferência dessas partículas para a Lua. Isso pode fornecer recursos essenciais para futuras missões espaciais.

A pesquisa demonstra que o campo magnético terrestre funciona como um guia para partículas atmosféricas que são transportadas pelo vento solar. De acordo com oPhys, este mecanismo tem movido constantemente material terrestre para a superfície lunar durante longos períodos. Isso considerando que o campo magnético do nosso planeta existe há bilhões de anos.

De acordo com os pesquisadores, o processo ocorre quando partículas carregadas da atmosfera são desalojadas pelo vento solar e direcionadas ao longo das linhas do campo magnético terrestre. Algumas dessas linhas se estendem o suficiente no espaço para alcançar a Lua, permitindo a deposição gradual de componentes atmosféricos terrestres na superfície lunar.

Imagem: University of Rochester illustration / Shubhonkar Paramanick

Como a descoberta foi realizada

A equipe de Rochester chegou a esta conclusão através da combinação de análises de partículas encontradas no solo lunar com simulações computacionais avançadas. Estas simulações modelaram a interação entre o vento solar e a atmosfera da Terra, bem como o processo de transferência de partículas.

“Ao combinar dados de partículas preservadas no solo lunar com modelagem computacional de como o vento solar interage com a atmosfera da Terra, podemos traçar a história da atmosfera da Terra e seu campo magnético”, afirma Eric Blackman, professor do Departamento de Física e Astronomia e cientista do Laboratório de Energética a Laser da Universidade de Rochester.

Evidências no solo lunar

O regolito lunar, a camada de poeira e fragmentos que cobre a superfície da Lua, contém substâncias voláteis como água, dióxido de carbono, hélio, argônio e nitrogênio. Anteriormente, em 2005, pesquisadores da Universidade de Tóquio, no Japão, sugeriram que parte desses elementos poderia ter origem terrestre, mas apenas durante um período anterior ao desenvolvimento do campo magnético da Terra.

A nova pesquisa, porém, indica que este processo de transferência continuou mesmo após a formação do campo magnético terrestre. Ou seja, contrariando teorias anteriores sobre seu papel como barreira.

Implicações para a ciência e exploração espacial

Esta descoberta sugere que o solo lunar pode conter um registro químico da atmosfera da “Terra primitiva” até a “Terra moderna”. Isso oferece aos cientistas uma oportunidade única para estudar a evolução do clima, oceanos e até mesmo da vida no nosso planeta ao longo de bilhões de anos.

Além disso, a presença de elementos como água e nitrogênio no solo lunar poderia apoiar missões humanas de longa duração. Reduzindo assim a necessidade de transportar todos os suprimentos da Terra.

“Nosso estudo também pode ter implicações mais amplas para a compreensão do escape atmosférico inicial em planetas como Marte, que não possui um campo magnético global hoje, mas tinha um semelhante ao da Terra no passado, junto com uma atmosfera provavelmente mais espessa”, afirma Paramanick. “Ao examinar a evolução planetária junto com o escape atmosférico em diferentes épocas, podemos obter insights sobre como esses processos moldam a habitabilidade planetária.”

Os pesquisadores ainda não determinaram quanto tempo foi necessário para que quantidades significativas de partículas terrestres se acumulassem no solo lunar. Assim como a proporção exata de voláteis de origem terrestre em comparação com aqueles provenientes diretamente do vento solar. Além disso, os cientistas estudam como extrair esses elementos para astronautas usarem em futuras missões lunares.

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Hemerson Brandão

Hemerson Brandão

É editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo principalmente sobre ciência, tecnologia e cultura nerd e geek. Entusiasta da astronomia, acompanha temas ligados à exploração espacial e é fã de Star Trek.