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NASA quer achar água na Lua sem cavar buraco

NASA levará detector de nêutrons à missão LUPEX para localizar hidrogênio e mapear possíveis reservas de água no polo sul da Lua.
Imagem: JAXA/Reprodução

A busca por água na Lua ganhou uma nova peça-chave. A NASA vai enviar o NSS (ou “Sistema de Espectrômetro de Nêutrons”), para a missão lunar LUPEX, liderada em conjunto pela agência japonesa JAXA e pela indiana ISRO, com chegada ao polo sul da Lua prevista para não antes de 2028. O objetivo é localizar hidrogênio enterrado sob a superfície, um forte indício da presença de água congelada.

Isso importa porque água na Lua vale muito mais do que matar a sede. Ela também pode gerar oxigênio para respiração e hidrogênio e oxigênio para combustível de foguete. Sem esse recurso local, qualquer presença humana duradoura exigiria levar grandes quantidades desde a Terra, algo caro demais para missões de longo prazo.

Como o instrumento procura água sem perfurar

Componentes do Sistema Espectrômetro de Nêutrons são testados na mesa vibratória. Crédito: NASA

Componentes do Sistema Espectrômetro de Nêutrons são testados na mesa vibratória. Crédito: NASA

O NSS funciona como um rastreador subterrâneo. Em vez de cavar o solo lunar, ele observa nêutrons que escapam da superfície. Esses nêutrons surgem quando raios cósmicos atingem o solo da Lua e desalojam partículas que ficam ricocheteando no subsolo antes de fugir para o espaço.

A pista aparece quando esses nêutrons encontram hidrogênio. Como hidrogênio e nêutrons têm massas muito parecidas, eles trocam energia com grande eficiência. Na prática, um terreno rico em hidrogênio deixa escapar menos nêutrons de energia intermediária. Ou seja, quando o instrumento detecta essa “falta” de nêutrons, ele pode estar vendo o sinal de água enterrada.

Hélio-3 entra em cena

Para captar esses nêutrons, o NSS usa tubos preenchidos com hélio-3, um gás raro e muito sensível a esse tipo de interação. Quando um nêutron atinge um átomo de hélio-3, ele gera um pulso elétrico. O instrumento conta e analisa esses pulsos para montar um mapa da concentração de hidrogênio no subsolo.

Segundo a NASA, o sistema consegue investigar até cerca de 90 centímetros de profundidade. Isso dá aos cientistas uma visão relevante do que está escondido logo abaixo da superfície, onde gelo pode permanecer preservado em crateras que nunca recebem luz solar.

O que ainda falta entender na Lua

Rick Elphic, líder do NSS no Centro de Pesquisa Ames, nos EUA, resumiu o desafio: “Atualmente, existe uma lacuna em nossa compreensão sobre como o gelo lunar se distribui em pequenas escalas. A única forma de entender o ‘onde’ e o ‘quanto’ do gelo lunar é explorando na superfície.”

Essa é justamente a promessa da missão LUPEX. Ao operar perto do polo sul lunar, a missão deve ajudar a responder não apenas se há água, mas onde ela aparece em quantidade útil para exploração humana.

Um mapa mais detalhado para futuras bases

O NSS da LUPEX não vai atuar sozinho. A NASA desenvolveu uma família desses instrumentos para diferentes missões. Além disso, outro sistema vai embarcar no rover VIPER, e um quarto segue para o micro-rover MoonRanger, da Carnegie Mellon University.

Juntos, esses equipamentos devem criar o retrato mais detalhado já feito da água escondida no polo sul da Lua. Assim, esse mapa pode indicar os melhores pontos para futuras missões humanas e, no horizonte mais ambicioso, para uma presença permanente além da Terra.

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Hemerson Brandão

Hemerson Brandão

É editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo principalmente sobre ciência, tecnologia e cultura nerd e geek. Entusiasta da astronomia, acompanha temas ligados à exploração espacial e é fã de Star Trek.