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Cientistas acham “aglomerados” bizarros de sangue que podem sustentar a Covid longa

Os cientistas descobriram que a interação entre microcoágulos e redes de DNA liberadas por glóbulos brancos pode explicar a Covid longa.
Imagem: Chantelle Venter/Reprodução

Cientistas descobriram estruturas microscópicas no sangue de pacientes com Covid longa que podem estar ligadas aos sintomas persistentes da doença.

Os cientistas publicaram um estudo no início deste mês, revelando uma interação inédita entre microcoágulos e armadilhas extracelulares de neutrófilos (NETs) no sangue de pacientes com Covid longa.

Microcoágulos são pequenos aglomerados sanguíneos capazes de obstruir capilares, enquanto as NETs são redes de DNA e enzimas liberadas por glóbulos brancos para capturar patógenos.

Os cientistas usaram citometria de fluxo por imagem e microscopia de fluorescência para analisar amostras de 50 pacientes com Covid longa. Além disso, o estudo contou com 38 pessoas saudáveis, demonstrando que os pacientes com Covid longa tinham quase 20 vezes mais microcoágulos.

Os microcoágulos no sangue de pessoas com Covid longa não somente eram mais numerosos, como também eram maiores.

Desse modo, a pesquisa encontrou uma forte correlação entre o aumento de NETs e microcoágulos. Os cientistas documentaram, pela primeira vez, a incorporação física das NETs nos microcoágulos, fenômeno que pode explicar sua resistência à decomposição natural pelo organismo.

Aliás, essa associação também estava presente no grupo saudável, mas em grau muito inferior. Isso indica, portanto, que o mecanismo é bem maior no sangue de pessoas com Covid longa.

Tal diferença entre os grupos foi tão significativa que um algoritmo de IA conseguiu identificar pacientes com COVID longa com 91% de precisão com base nas amostras anônimas.

“Este estudo comprova uma associação robusta entre biomarcadores indicativos de atividade tromboinflamatória e COVID longa. A descoberta também sugere a existência de interações fisiológicas subjacentes entre microcoágulos e NETs que, quando desreguladas, podem se tornar patogênicas”, afirmam os autores.

O estudo não demonstra uma relação causal direta entre o sangue com microcoágulos, NETs e os sintomas da COVID longa. No entanto, a descoberta pode resultar em novos tratamentos e abordagens de diagnóstico.

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