Meta pode ultrapassar Google em publicidade digital pela 1ª vez
A Meta está a caminho de ultrapassar a Google em receita global com publicidade digital pela primeira vez, segundo uma projeção da Emarketer. A estimativa aponta que a dona de Facebook, Instagram e WhatsApp deve encerrar 2026 com US$ 243,46 bilhões, acima dos US$ 239,54 bilhões esperados para a Google.
A mudança chama atenção porque mexe em uma das hierarquias mais sólidas da internet. Durante anos, a Google foi o grande símbolo do negócio de anúncios digitais. Agora, a Meta aparece prestes a assumir a dianteira em um mercado que continua entre os mais lucrativos da tecnologia.
O que está empurrando a Meta para cima
A Emarketer atribui essa virada ao ritmo mais forte de crescimento da Meta. A empresa deve avançar 24,1% neste ano, acima dos 22,1% de 2025. Já a Google deve manter crescimento estável de 11,9%.
Na prática, isso sugere que a Meta encontrou formas mais rápidas de ampliar sua máquina publicitária. Um dos motores citados no relatório é o Advantage+, conjunto automatizado de anúncios da empresa. A ferramenta vem ganhando adesão por simplificar a criação de campanhas e melhorar o retorno sobre o investimento em marketing.
Ou seja, a Meta avança com uma proposta cada vez mais atraente para anunciantes: menos atrito na montagem das campanhas e mais eficiência na entrega.
Google ainda é gigante, mas cenário mudou
A projeção não significa fraqueza imediata da Google. A Reuters destaca que a empresa tem outras fontes de expansão, como as assinaturas do YouTube Premium. Ainda assim, essa diversificação de receitas pode tornar mais difícil crescer com a mesma velocidade da Meta dentro da publicidade.
Max Willens, analista principal da Emarketer, resumiu a leitura do mercado: “Ao ultrapassar a Google, a Meta teve, essencialmente, várias de suas estratégias centrais validadas”.
WhatsApp, Threads e Reels entram na disputa
A Meta também acelerou a competição ao abrir novas frentes de anúncios em plataformas importantes. O lançamento de publicidade no WhatsApp e no Threads ampliou o espaço comercial da companhia e colocou pressão direta sobre rivais como o X.
Ao mesmo tempo, os Reels do Instagram seguem disputando atenção e verba com TikTok e YouTube Shorts. Esse mercado de vídeos curtos virou uma das áreas mais valiosas da publicidade digital, porque concentra tempo de uso, descoberta de conteúdo e formatos de alta circulação.
O que isso revela sobre o mercado
O relatório também mostra uma concentração crescente de poder. Google, Meta e Amazon devem responder juntas por 62,3% dos gastos globais com publicidade digital em 2026.
Por outro lado, plataformas menores ficam mais vulneráveis em tempos de incerteza geopolítica. Segundo analistas, empresas como Snap e Pinterest tendem a sofrer mais quando marcas cortam orçamento, já que os investimentos se concentram nos ecossistemas maiores.
A Emarketer acrescenta que decisões judiciais recentes contra Meta e YouTube não devem alterar materialmente essa previsão. O estudo, porém, foi concluído antes desses veredictos.
