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Google fecha acordo secreto com o governo Trump

Contrato classificado permitiria ao Departamento de Defesa dos EUA usar modelos de IA do Google para “qualquer finalidade governamental legal”.
Imagem: Wikimedia Commons

O Google assinou um acordo que permite ao Departamento de Defesa dos Estados Unidos usar seus modelos de inteligência artificial para “qualquer finalidade governamental legal”. As partes firmaram o contrato sem um valor divulgado.

O caso importa porque levanta o debate sobre até onde empresas privadas devem permitir que governos usem modelos avançados em segurança nacional?

O que o acordo permitiria

O contrato, ainda sem divulgação pública completa, não daria ao Google poder para vetar como o governo norte-americano usa seus modelos de IA.

Na prática, isso significa que a empresa forneceria tecnologia e infraestrutura, mas não controlaria decisões operacionais do Pentágono quando elas forem consideradas legais.

A expressão “qualquer finalidade governamental legal” abre espaço para usos amplos. Ela pode incluir análise de dados, apoio logístico, segurança cibernética e outras aplicações ligadas à defesa.

O documento também exige que o Google ajude o governo a ajustar filtros e configurações de segurança dos modelos quando solicitado.

Os limites citados no contrato

De acordo com a The Verge, o acordo afirma que os sistemas de IA do Google não deveriam ser usados para vigilância doméstica em massa. Também menciona restrições a armas autônomas sem supervisão e controle humano adequados.

Porém, o mesmo contrato diz que o Google não tem direito de controlar ou vetar decisões operacionais legais do governo.

Ou seja, os limites aparecem como compromisso declarado, mas não como um mecanismo claro de bloqueio pela empresa.

Funcionários pressionaram a empresa

A notícia do acordo apareceu menos de um dia depois de funcionários do Google pedirem ao CEO Sundar Pichai que impedisse o uso da IA da empresa pelo Pentágono.

O grupo demonstrou preocupação com possíveis aplicações “desumanas ou extremamente prejudiciais”.

A tensão não surge do nada. Isso porque o setor de IA vive uma disputa intensa entre inovação, lucro, segurança nacional e responsabilidade pública.

Google entra em uma lista sensível

Com o acordo, o Google se junta a OpenAI e xAI, que também fizeram contratos classificados de IA com o governo dos Estados Unidos.

A Anthropic também fazia parte desse grupo, mas acabou colocada em uma lista de veto pelo Pentágono. O motivo informado foi a recusa da empresa em remover barreiras ligadas a armas e vigilância em seus modelos.

Em nota, um porta-voz do Google disse que a empresa tem orgulho de integrar um consórcio amplo de laboratórios de IA, empresas de tecnologia e companhias de nuvem em apoio à segurança nacional.

Além disso, o representante afirmou ainda que o novo acordo altera um contrato governamental já existente. Também disse que o Google mantém compromisso contra vigilância doméstica em massa e armas autônomas sem supervisão humana adequada.

A pergunta que fica

O ponto central não está apenas no uso militar da IA. A questão maior envolve controle, transparência e responsabilidade.

Isso porque, quando uma empresa cria modelos capazes de processar enormes volumes de informação, o modo como governos usam essa tecnologia deixa de ser detalhe técnico. Vira debate público.

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Hemerson Brandão

Hemerson Brandão

É editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo principalmente sobre ciência, tecnologia e cultura nerd e geek. Entusiasta da astronomia, acompanha temas ligados à exploração espacial e é fã de Star Trek.