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Remédios emagrecedores entram no radar do câncer

Estudo com mais de 840 mil pacientes liga GLP-1 a menor morte e recidiva no câncer de mama, mas ensaios ainda são necessários.

Medicamentos agonistas de GLP-1, usados contra obesidade e diabetes tipo 2, aparecem ligados a melhores resultados em pacientes com câncer de mama. Um estudo na JAMA Network Open, analisou mais de 840 mil prontuários e encontrou menor risco de morte e retorno da doença em 10 anos.

O que muda para pacientes com câncer de mama

A descoberta não transforma remédios de GLP-1 em tratamento contra câncer. Mas coloca essa classe de medicamentos no radar da oncologia.

O estudo encontrou uma associação positiva entre o uso desses fármacos e desfechos melhores em mulheres com câncer de mama que também tinham obesidade ou diabetes tipo 2.

Na prática, o achado interessa porque obesidade e diabetes tipo 2 aparecem ligados a tumores mais agressivos e piores resultados nesse grupo. Se a relação se confirmar, médicos poderão investigar novas formas de combinar controle metabólico e cuidado oncológico.

O tamanho do estudo chama atenção

A pesquisa analisou registros eletrônicos de saúde de mais de 840 mil pacientes com câncer de mama. Elas receberam diagnóstico entre 2006 e 2023.

Os pesquisadores acompanharam os dados por um período de 10 anos. Nesse intervalo, pacientes que usaram agonistas de GLP-1 apresentaram menor risco de morte por qualquer causa.

O estudo também encontrou menor risco de recidiva, que ocorre quando o câncer retorna após o tratamento inicial. Esse ponto tem grande peso para pacientes e famílias, porque o pós-tratamento envolve vigilância, ansiedade e decisões médicas contínuas.

O que são os agonistas de GLP-1

GLP-1 é a sigla para peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1. Os agonistas desse receptor imitam a ação desse hormônio no organismo.

Esses medicamentos receberam aprovação para diabetes tipo 2 em 2005. Depois, passaram a ter uso em controle de peso em 2021.

Desde 2020, o uso cresceu de forma intensa. Um relatório da RAND indica que cerca de 12% dos norte-americanos já usaram GLP-1 para perda de peso.

Ainda assim, o impacto desses remédios sobre sobrevida e retorno do câncer de mama segue incerto.

Associação não é prova de causa

O ponto central é cautela. O estudo mostra uma relação estatística, não uma prova definitiva de que os medicamentos causaram a melhora.

Os resultados podem envolver perda de peso, melhora cardiovascular, controle do diabetes ou outros mecanismos ainda desconhecidos. A própria equipe afirma que precisa estudar melhor essa ligação biológica.

“Este estudo sugere que os medicamentos GLP-1 podem oferecer benefícios protetores, potencialmente melhorando a sobrevida e o risco de recidiva em algumas pacientes com câncer de mama”, afirmou Bernard F. Fuemmeler, autor sênior da pesquisa, ao MedicalXpress.

O próximo passo será testar em ensaios clínicos

Os pesquisadores querem avaliar essas correlações em estudos clínicos randomizados. Esse tipo de estudo ajuda a separar coincidência, perfil dos pacientes e efeito real do medicamento.

“Nossos achados se alinham com pesquisas pré-clínicas emergentes e contribuem para uma literatura crescente sobre o uso de GLP-1 em contextos oncológicos”, afirmou Kristina L. Tatum, autora principal do estudo.

Por enquanto, ninguém deve usar GLP-1 para prevenir retorno do câncer sem orientação médica. Mas a pesquisa  sugere que tratar obesidade e diabetes pode ter efeitos além da balança, inclusive em um dos cânceres mais comuns entre mulheres.

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Hemerson Brandão

Hemerson Brandão

É editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.