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Câncer em gatos e em humanos é mais parecido do que se pensava

Pesquisa sequenciou genomas de tumores de 500 felinos domésticos e identificou gene como mais mutado
Imagem: Freepik/Reprodução

Cientistas sequenciaram genomas de tumores de aproximadamente 500 gatos domésticos. O Wellcome Sanger Institute, na Inglaterra, realizou o trabalho. A pesquisa foi publicada na revista Science.

O estudo revelou que os genes responsáveis pelo desenvolvimento de câncer em felinos apresentam similaridade com aqueles que causam a doença em humanos e cães. Louise van der Weyden, cientista do instituto, liderou a pesquisa como autora sênior. De acordo com a Scientific American, a descoberta representa um avanço significativo na compreensão dos mecanismos genéticos do câncer em diferentes espécies de mamíferos.

Análise abrangeu 13 tipos de tumores

A equipe analisou 13 tipos distintos de tumores originados em diferentes partes do corpo dos felinos. Os cientistas examinaram tumores de pele, ossos, tecidos e sangue. Dessa forma, os pesquisadores buscaram mutações que poderiam ter causado a formação dos tumores.

Os resultados mostraram que os genes causadores de câncer em gatos são similares em número e variedade aos encontrados em humanos. Os pesquisadores identificaram o gene TP53 como o mais frequentemente mutado nos tumores dos felinos. Aliás, este mesmo gene está implicado em diversos cânceres humanos, incluindo câncer de mama e sarcoma ósseo, por exemplo.

Compartilhamento genético entre espécies

Gatos e humanos compartilham aproximadamente 90% de seus respectivos genomas. “Quando você olha para um gato e depois para um humano, percebe que não nos parecemos em nada”, disse van der Weyden. “Mas quando você pensa no fato de que os genomas humanos e felinos são notavelmente semelhantes…, provavelmente não é tão surpreendente, mas ainda assim é muito interessante de se ver.”

Além disso, o câncer representa uma das principais causas de morte em animais de companhia. Quase tantos gatos desenvolvem câncer durante suas vidas quanto cães. Aliás, as pesquisas sobre cânceres que afetam animais de estimação têm se concentrado mais em cães do que em gatos.

Perspectivas para tratamentos direcionados

“O conhecimento das alterações genéticas que impulsionam o tumor é essencial para a tomada de decisões sobre quais terapias direcionadas usar”, afirmou van der Weyden. “Agora temos essa informação para nossos amigos felinos.”

Os pesquisadores esperam que o trabalho inspire estudos adicionais sobre genes de câncer específicos de gatos. O objetivo é abrir caminho para melhores tratamentos para os animais de estimação. Os resultados podem possibilitar tratamentos de câncer mais direcionados tanto para gatos quanto para humanos.

“O desenvolvimento de terapias direcionadas leva tempo”, declarou van der Weyden. “No entanto, é o primeiro passo crítico e essencial que se faz necessário.”

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