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Depois do LHC, vem aí um colisor de partículas com 91 km

Futuro Colisor Circular será 3 vezes maior que atual acelerador do CERN
Imagem: CERN/Reprodução

O novo diretor-geral da Organização Europeia para Pesquisa Nuclear (CERN), Mark Thomson, demonstrou otimismo quanto à obtenção dos recursos necessários para a construção do Futuro Colisor Circular (FCC). Em declarações feitas nesta terça-feira (28), o físico britânico, que assumiu o cargo em 1º de janeiro de 2026, detalhou os planos para o que será o maior acelerador de partículas já construído.

O ambicioso projeto prevê um anel de colisão de prótons com 91 quilômetros de circunferência e profundidade média de 200 metros. De acordo com o Phys, a nova estrutura superará significativamente as dimensões do atual Grande Colisor de Hádrons (LHC), que possui 27 quilômetros de extensão e opera a aproximadamente 100 metros abaixo da superfície entre França e Suíça.

Investigação da matéria escura

Projeto do Futuro Colisor Circular

O principal objetivo do FCC será investigar a composição de 95% do Universo, representada pela matéria escura e energia escura, fenômenos que os cientistas ainda não conseguiram observar diretamente. Pesquisadores indicam que a matéria comum – como estrelas, gases, poeira e planetas – corresponde a apenas 5% do universo.

“Vamos ter uma máquina mais brilhante, então obtemos muito, muito mais dados, e cada bit de dados que obtemos, temos uma imagem mais clara do que está acontecendo”, afirmou Thomson.

De acordo com o diretor, o início das operações do novo colisor está previsto para a segunda metade da década de 2040. O custo estimado do projeto é de aproximadamente 19,5 bilhões de dólares.

“Cerca de metade desse valor virá do orçamento contínuo existente, e precisamos encontrar recursos para a outra metade”, explicou Thomson. “Estou pessoalmente muito otimista, mas não vai ser simples”, acrescentou.

Financiamento e apoio internacional

Em dezembro de 2025, o CERN recebeu pela primeira vez uma promessa de doação privada de 1 bilhão de dólares para a construção do FCC. “Eles não estão esperando nada em troca. Isso é realmente pelo bem da ciência”, declarou o diretor.

O CERN está localizado nos arredores de Genebra e conta com 25 estados-membros. O conselho da organização deverá tomar uma decisão em 2028 sobre o prosseguimento do projeto.

Legado do LHC e novas descobertas

Atualmente, o LHC é o maior acelerador de partículas em operação no mundo. Este equipamento foi fundamental para comprovar a existência do bóson de Higgs, apelidado de “partícula de Deus“. A descoberta, realizada em 2012, ampliou a compreensão científica sobre como as partículas adquirem massa e rendeu aos físicos Peter Higgs e François Englert o Prêmio Nobel de Física de 2013.

O LHC deve retomar suas operações em fevereiro, após uma pausa de inverno, antes de ser desligado novamente em junho. Posteriormente, passará por atualizações, incluindo ímãs de foco mais potentes e nova óptica, transformando-se no LHC de Alta Luminosidade (HL-LHC).

“Esta é uma tecnologia que simplesmente não tínhamos quando projetamos o LHC”, explicou Thomson. O diretor destacou ainda o potencial transformador do projeto: “Esta é realmente uma oportunidade para descobertas. E não tenho certeza do que vamos descobrir. Às vezes você dá pequenos passos na ciência. Este não é um pequeno passo. Este é um salto gigante, gigante para frente.”

Espera-se que o LHC complete seu ciclo de operação por volta de 2040, coincidindo aproximadamente com o início das atividades do novo FCC.

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