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Por que a fibra faz bem se o corpo não a digere?

A diferença entre amido e fibra está em ligações microscópicas que mudam como o corpo digere alimentos vegetais.
Imagem: Pexels

A Organização Mundial da Saúde recomenda pelo menos 25 gramas de fibra por dia para pessoas acima de 10 anos. O nutriente aparece em frutas, verduras, legumes, nozes, sementes, grãos integrais e leguminosas, e ajuda o intestino justamente porque o corpo não consegue digeri-lo.

Um detalhe químico muda tudo

A fibra pertence ao grupo dos carboidratos, assim como o açúcar e o amido. A diferença não está nos ingredientes básicos, mas no modo como essas moléculas se encaixam.

Carboidratos têm carbono, oxigênio e hidrogênio. Nos alimentos, eles podem aparecer como açúcares simples, caso da glicose e da frutose, ou como grandes cadeias de muitas moléculas unidas.

Essas cadeias recebem o nome de polissacarídeos. Nas plantas, duas formas chamam atenção: o amido e a fibra. Ambas costumam reunir muitas unidades de glicose, mas usam ligações químicas diferentes.

Por que pão vira energia e fibra não

De acordo com o MedicalXpress, o amido usa ligações chamadas alfa. O corpo humano consegue quebrar esse tipo de ligação com uma enzima chamada amilase. Ao fazer isso, libera glicose, que as células usam como combustível.

Por isso, alimentos ricos em amido, como batata, arroz, milho, massas e pães, fornecem energia com facilidade.

A fibra, formada principalmente por celulose, usa ligações beta. O corpo humano não produz enzimas capazes de quebrar essas ligações. Ou seja, boa parte da fibra atravessa o sistema digestivo sem virar calorias aproveitáveis.

A planta usa fibra como estrutura

Essa resistência não acontece por acaso. Nas plantas, a fibra ajuda a sustentar folhas, sementes e caules. Ela funciona como uma armação microscópica, quase como a estrutura interna que mantém uma construção de pé.

O amido tem outro papel. A planta o usa como reserva de glicose para obter energia. Por isso, ele tem uma estrutura mais fácil de desmontar.

A diferença parece pequena, mas muda tudo. Um tipo de ligação entrega energia rápida. O outro dá resistência à planta e benefícios ao intestino.

O intestino ganha trabalho útil

Como permanece mais intacta, a fibra ajuda a manter as fezes macias e úmidas. Isso reduz o risco de constipação, hemorroidas e diverticulose.

Ela também oferece volume para os músculos intestinais empurrarem o conteúdo com mais facilidade. Esse efeito pode reduzir pressão e inflamação no intestino.

Algumas pesquisas associam o consumo de fibra a menor risco de doenças inflamatórias intestinais e proteção cardiovascular. A fibra interage com ácidos biliares e colesterol alimentar, o que facilita sua eliminação e pode reduzir níveis de colesterol no sangue.

Saciedade também entra na conta

A fibra absorve água e se expande no intestino. Esse processo desacelera a passagem dos alimentos pelo sistema digestivo e aumenta a sensação de saciedade.

Por isso, ervilhas, brócolis, aveia e peras não apenas “fazem bem”. Eles carregam uma arquitetura química que o corpo usa de um jeito muito próprio: não para obter energia direta, mas para manter o intestino em funcionamento.

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Hemerson Brandão

Hemerson Brandão

É editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo principalmente sobre ciência, tecnologia e cultura nerd e geek. Entusiasta da astronomia, acompanha temas ligados à exploração espacial e é fã de Star Trek.