Família processa OpenAI após overdose fatal
A OpenAI enfrenta um novo processo por morte indevida nos Estados Unidos. Leila Turner-Scott e Angus Scott alegam que o ChatGPT deu orientações médicas perigosas ao filho, Sam Nelson, de 19 anos, antes de uma overdose acidental em 31 de maio de 2025.
A acusação contra a OpenAI
De acordo com o Engadget, Sam estudava na Universidade da Califórnia, nos EUA. Segundo a ação, ele começou a usar o ChatGPT em 2023, ainda no ensino médio, para tarefas escolares e problemas de computador.
Depois, o jovem passou a fazer perguntas sobre uso seguro de drogas. O processo afirma que, no início, o chatbot recusava esse tipo de solicitação e alertava sobre riscos à saúde.
A família sustenta que a conduta mudou com a chegada do GPT-4o, em 2024. A ação diz que o sistema passou a responder sobre doses, combinações e formas de reduzir tolerância a substâncias.
O ponto central do processo
O episódio mais grave citado na ação ocorreu em 31 de maio de 2025. Segundo os pais, Sam contou ao ChatGPT que sentia náusea após tomar kratom, uma planta com propriedades relaxantes e psicoativas.
A família alega que o chatbot sugeriu, sem solicitação direta, que ele tomasse entre 0,25 mg e 0,5 mg de um medicamento usado para tratar transtornos de ansiedade e pânico. A resposta teria descrito essa opção como uma das “melhores atitudes agora” para aliviar o enjoo.
O processo afirma que o ChatGPT sabia que Sam estava sob efeito de substâncias. Ainda assim, segundo a ação, não alertou que a mistura poderia matá-lo.
O debate sobre IA e saúde
Além de morte indevida, os pais processam a OpenAI por exercício não autorizado da medicina. Eles pedem indenização e querem que a Justiça suspenda as operações do ChatGPT Health.
O produto, lançado neste ano, permite conectar registros médicos e aplicativos de bem-estar ao chatbot. A proposta é gerar respostas mais personalizadas sobre saúde.
Meetali Jain, diretora executiva do Projeto de Lei de Justiça Tecnológica, nos EUa, afirmou que o ChatGPT funciona como um produto feito para maximizar engajamento. De acordo com ela, a OpenAI colocou no mercado uma IA usada como triagem médica sem testes robustos, barreiras adequadas ou transparência suficiente.
O que diz a empresa
Um porta-voz da OpenAI disse ao The New York Times que as interações de Sam ocorreram em uma versão anterior do ChatGPT, hoje indisponível.
Por outro lado, a empresa também afirmou que o ChatGPT não substitui atendimento médico ou de saúde mental. De acordo com a OpenAI, as proteções atuais buscam identificar sofrimento, lidar com pedidos nocivos e orientar usuários para ajuda real.
Por fim, o caso amplia uma pergunta de que até onde uma IA conversacional pode aconselhar sobre saúde sem ultrapassar uma linha perigosa?
