Existe vulcão no Brasil? Em quais lugares?
Embora famoso por diferentes paisagens naturais que não incluem algum vulcão, o Brasil já abrigou essas formações em diversos lugares, demonstrando uma complexa história geológica.
Em 2002, o geólogo Caetano Juliani, do Instituto de Geociências da USP, participou do trabalho que identificou dois vulcões na Amazônia. Como publicamos aqui no Giz Brasil em janeiro de 2024, cientistas da Universidade de Campinas (Unicamp) e da Universidade Federal do Ceará (UFC) demonstraram como eram os vulcões da região.
A pesquisa, que foca na reconstrução ambiental de antigos vulcões na Amazônia, foi publicada em periódicos internacionais, contribuindo para o entendimento do passado geológico do Brasil.
“A pesquisa explica que os três períodos de atividade vulcânica que deram origem ao Cráton Amazônico ocorreram há 2 bilhões, 1,88 bilhões e 1,78 bilhões de anos”, cita a matéria do Giz.
Umberto Cordani, um dos principais geólogos do Brasil, define o Cráton Amazônico como uma área de cerca de quatro milhões de quilômetros quadrados.
“Ele se compõe do Escudo das Guianas, ao norte e do Escudo do Guaporé (ou do Brasil Central), ao sul, separados pelas grandes bacias sedimentares do Solimões e do Amazonas. Trata-se de uma das menos conhecidas e estudadas áreas de terrenos do Pré-Cambriano do mundo, pelas dificuldades de acesso e da cobertura de floresta tropical densa. Em vista da escassez de dados geológicos de campo e de informações complementares de petrologia, estrutura, geofísica, etc., datações geocronológicas tem sido de grande importância para interpretar a história e a evolução geológica desse cráton”, afirma Cordani em estudo publicado em 2017.
Mas, além do Cráton Amazônico, com características de formação antiga, datando do período Paleoproterozoico, outros lugares no Brasil também tiveram vulcões.
Lugares com vulcão no Brasil
Antes de listarmos os lugares do Brasil que já tiveram sistemas vulcânicos ou algum vulcão, é importante ressaltar que o país não tem vulcões em atividade.
O impressionante “Vulcão Amazonas”, com 22 quilômetros de diâmetro e 400 m metros de altura, é um exemplo que ficou na história pelo desgaste do tempo e pela erosão.
Em termos geológicos, o vulcão na Amazônia foi o mais antigo e com atividade intensa, durando cerca de 300 milhões de anos. Mas houve vulcões mais “recentes” no Brasil, incluindo durante o período dos dinossauros.
O podcast “magmacast”, do Instituto de Geociências da Unicamp (IGI) tem um episódio focando exclusivamente nos vulcões do Brasil. Com apresentação dos geólogos Carolina Moreto e Maurício Rigon Baldim, o episódio lista os vulcões que existiram no nosso país, explicando as características geológicas e o período de formação. Confira:
Serra Geral

Imagem: Wikimedia Commons/Reprodução
A formação da Serra Geral, no sul do Brasil, ajuda a explicar por que o nosso país não sofre com vulcões, mas também é o registro de um dos principais eventos vulcânicos do planeta.
A formação da Serra Geral foi um dos maiores eventos vulcânicos da história do planeta. Há 137 milhões de anos, a América do Sul começou a se separar da África e, entre 130 e 100 milhões de anos, a separação resultou em um limite divergente de placas.
De acordo com o podcast, o Brasil não fica no centro da placa tectônica do continente. Por isso, o país não sofre terremotos e não possui vulcões ativos. Contudo, o processo de separação durante o Mesozoico deixou sua marca.
A “terra roxa”, tipo de solo extremamente fértil no sul e sudeste do Brasil, é consequência das lavas basálticas que deram origem a rochas ígneas na Bacia do Paraná.
Alinhamento Poços de Caldas-Cabo Frio

Imagem: Wikimedia Commons/Reprodução
Há 80 milhões de anos, o remanescente de um vulcão conhecido como Planalto de Poços de Caldas, em Minas Gerais, entrou em erupção. A atividade, menos intensa que a anterior, formou rochas alcalinas no sudeste do Brasil e criou uma caldeira após o colapso do cone do vulcão.
Passa Quatro, Itatiaia, em Minas Gerais, e Morro Redondo e Tinguá, no Rio de Janeiro, também sofreram intrusões alcalinas devido às erupções do vulcão. Cabo Frio foi afetada por último, há cerca de 50 milhões de anos.
O exemplo do alinhamento de Poços de Caldas-Cabo Frio pode explicar como a erupção de um vulcão pode explicar a economia de um país milhões de anos depois.
A atividade geológica que formou rochas alcalinas deu origem recursos como águas sulfurosas terapêuticas e depósitos de urânio e bauxita (minério de alumínio). Além disso, a intrusão favoreceu o cultivo de cafés de alta qualidade.
Hotspots no Brasil
De acordo com o Maurício Rigon Baldim, hotspots (ou pontos quentes) são vulcanismos que ocorrem no “interior das placas tectônicas, sendo responsáveis por cerca de 5% dos vulcões do planeta”.
No Brasil, há dois exemplos de vulcões hotspots, ainda mais recentes que os anteriores e bem similares entre si: Fernando de Noronha e a ilha de Trindade.

Imagem: Prefeitura de Fernando de Noronha/Reprodução
Noronha, um dos principais pontos turísticos do Brasil, é resultado de um hotspot, abrigando um enorme vulcão no fundo do mar. A ilha surgiu por uma atividade vulcânica que não seguiu uma linha contínua.
Houve dois grandes picos de atividade para formação de Noronha, com o primeiro ocorrendo há 12 milhões de anos, similarmente a Maui, no Havaí, formando ilhas ao redor do arquipélago.
Há três milhões de anos, outra erupção ocorreu, adicionando novas camadas de rocha à estrutura que se formou nove milhões de anos.
Já Trindade é ainda mais jovem, embora tenha uma grande cordilheira submarina que se estende pelo litoral do Espírito Santo.

Remanescentes do vulcão em Trindade. Imagem: Marinha do Brasil/Reprodução
Por ser a formação mais jovem, com três milhões de anos, o vulcão teve a atividade mais recente no Brasil, há 50 mil anos. Desde então, ao contrário dos vizinhos andinos, o Brasil não tem vulcões ativos. Contudo, o vulcão mais antigo seja tupiniquim.
Por fim, ouça o episódio completo do magmacast para saber mais sobre a história dos vulcões no Brasil:
