Exercício de 1min dos astronautas para os joelhos é eficaz?
Um estudo da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, sugere que pular pode ser o exercício mais eficaz para humanos no espaço. De acordo com a pesquisa, saltar e pular corda por apenas um minuto podem ajudar astronautas a proteger os joelhos de danos na cartilagem por longas missões.
Anteriormente, pesquisas indicaram que correr em esteira retarda a degradação da cartilagem em roedores. Agora, treinamentos de salto com camundongos três vezes por semana apresentaram cartilagem 26% mais espessa. Já os com movimento reduzido apresentaram uma redução de 14% na espessura. Além disso, pular também provou aumentar a resistência óssea, segundo o estudo publicado no periódico npj Microgravity.
Atualmente, os astronautas já passam duas horas por dia se exercitando a bordo da Estação Espacial Internacional. Isso porque uma cartilagem saudável é essencial para movimentos sem dor e pode aumentar a expectativa de vida, porém se regenera mais lentamente que outros tecidos. Portanto, períodos prolongados de inatividade podem prejudicar as articulações.
Por isso, as agências espaciais querem proteger os astronautas contra o descondicionamento ou a perda de forma devido à baixa gravidade, a fim de mantê-los aptos a realizar caminhadas espaciais, manusear equipamentos e executar outras tarefas.
“Imagine enviar alguém em uma viagem a Marte. Essa pessoa chega lá e não consegue andar porque desenvolveu osteoartrite nos joelhos ou quadris e suas articulações não funcionam”, disse o autor do estudo Marco Chiaberge. “Talvez os astronautas pudessem usar um treinamento semelhante [salto] antes do voo como medida preventiva.”
Segundo o coautor Mark Shelhamer, “a força das pernas é particularmente importante e mais impactada pela microgravidade”. Ademais, a radiação espacial também pode acelerar a degradação da cartilagem, evidenciada em astronautas que passam vários meses a bordo.
Mais pesquisas ainda são necessárias para confirmar se os humanos desfrutariam dos mesmos benefícios do treino. Além disso, pesquisadores querem determinar o volume e a frequência ideais de exercícios para preservar e fortalecer a cartilagem. Bem como descobrir se saltar pode reverter sua perda e recuperar danos.
“Qualquer procedimento que possa abordar múltiplos aspectos do descondicionamento muscular, e talvez até mesmo reduzir a necessidade de duas horas diárias de exercícios no espaço, seria muito bem-vindo”, completou Shelhamer.
Treinamento de salto para fortalecer a cartilagem funciona?
Em entrevista ao Giz Brasil, o Dr. Adriano Leonardi, ortopedista especialista em joelho, afirma que o estudo sobre o treinamento de um minuto dos astronautas sugere que “saltos curtos e intensos podem estimular adaptação cartilaginosa e óssea”.
Contudo, ele alerta para a falta de evidência em humanos. “É necessário definir volume, frequência e carga ideais e considerar condições prévias como degeneração articular ou osteoartrite, onde o impacto pode ser prejudicial”, disse.
Como solução, ele aprova o implante de colágeno para regeneração da cartilagem do joelho, que tem respaldo clínico. “Técnicas como a membrana de colágeno combinada com microfraturas configuram uma abordagem minimamente invasiva, segura e amplamente usada para regenerar cartilagem articular em estágios iniciais”, pontuou.
“Essa membrana, composta por colágeno tipo I/III, funciona como uma matriz que promove a proliferação de condrócitos e preencher o defeito com cartilagem com recuperação próxima a 100%, aliviando dor e restaurando função”, explicou.
Além disso, Leonardi completa: “Mais recentemente, foi desenvolvido o CaReS‑1S, um implante biológico em hidrogel 3D de colágeno tipo I (alta pureza) que, aplicado diretamente sobre a lesão (sem microperfurações), promove regeneração de cartilagem hialina funcional e duradoura, com expressão de colágeno tipo II, sem fibrose, e manutenção dos resultados por mais de quatro anos.”
